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Imprensa

Sarkozy impõe identidade nacional como tema da campanha na França

A pré-candidatura do ex-presidente Nicolas Sarkozy às eleições presidenciais francesas, anunciada ontem, é destaque nas manchetes dos jornais franceses desta terça-feira (23).
A pré-candidatura do ex-presidente Nicolas Sarkozy às eleições presidenciais francesas, anunciada ontem, é destaque nas manchetes dos jornais franceses desta terça-feira (23). RFI

Sem surpresa, a pré-candidatura do ex-presidente Nicolas Sarkozy às eleições presidenciais francesas, anunciada na segunda-feira (22), está estampada na primeira página de todos os jornais franceses desta terça-feira (23). A imprensa destaca que o ex-presidente impõe o tema da identidade nacional, que domina seu programa.

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O ex-presidente oficializou ontem que vai disputar as primárias de seu partido Os Republicanos, informa Aujourd'hui en France. A legenda irá escolher o nome de seu candidato às presidenciais francesas de 2017, nos dias 20 e 27 de novembro.

A entrada de Sarkozy na disputa era uma questão de dias, mas o ex-presidente surpreendeu ao anunciar sua decisão publicando um novo livro, “com propostas fortes”, afirma o diário. A surpresa vem do fato que nunca antes na história da quinta República francesa um político havia anunciado sua candidatura por escrito.

No livro "Tudo pela França", que chega às livrarias na quarta-feira (24), “Sarkozy tenta fazer diferença” ao defender a identidade francesa e uma queda em massa dos impostos, detalha Les Echos. No livro-programa, o pré-candidato anuncia uma diminuição drástica da imigração e critica o programa de seu principal rival conservador no partido Os Republicanos, o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, aponta o jornal econômico.

Sarkozy saiu da presidência do partido Os Republicanos

Respeitando as regras da legenda e para se dedicar à campanha, Sarkozy pediu ontem demissão da presidência do Os Republicanos. Mas o partido vai ser dirigido por políticos fiéis ao ex-chefe de Estado, a começar pelo número dois da legenda, Laurent Wauquiez, aponta Les Echos.

Le Figaro também destaca que a identidade francesa é o principal desafio de Sarkozy. O ex-presidente explica ao jornal conservador que, para além de afirmar sua determinação em disputar as primárias, o livro "Tudo pela França" mostra sua vontade de reformar o país.

Le Figaro não esconde seu apoio ao ex-presidente e no espaço, normalmente destinado ao editorial, reproduz vários trechos de seu livro-programa. O jornal destaca que Sarkozy não fala em revanche e que isso é uma resposta a todos, tanto de direita quanto de esquerda, que o acusam de participar das eleições para apagar sua derrota de 2012.

“O pior é que ele pode ganhar”

“O pior é que ele pode ganhar”, diz a manchete de Libération. O jornal de esquerda lembra que o ex-presidente estava oficiosamente em campanha há vários meses, apesar de sua fraca popularidade entre os eleitores. Ele vai surfar nesse contexto de medo e ameaça terrorista, defendendo temas como o modo de vida francês e a segurança.

Libération não deixa de ressaltar que o ex-presidente foi duas vezes indiciado em escândalos de corrupção. No entanto, ele propõe "salvaguardar a autoridade, que é mais do que nunca questionada enquanto minorias chantageiam e ganham do atual governo no poder".

O candidato conservador se instala nesta terça-feira em sua sede de campanha; um escritório ao lado da Torre Eiffel alugado há vários meses. Sarkozy tem cada dia mais confiança em sua vitória nas primárias conservadoras, assim como nas presidenciais de 2017, escreve Libé.

Mesmo se o anúncio não foi uma surpresa, ele criou um "fenômeno mediático" oficializando sua candidatura em um livro e "impõe o tríptico segurança, identidade e Islã" aos outros pré-candidatos do partido. Temas que dominam a preocupação dos franceses, principalmente após os atentados de 13 de novembro, conclui o diário.

 

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