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A Semana na Imprensa

O cantor lírico que se tornou herói de guerra na Ucrânia

Áudio 02:59
Wassyl Slipak, cantor de ópera ucraniano, no Dia da Independência da Ucrânia (24 de agosto) de 2014, em Paris. Ele morreu em 29 de junho de 2016, em Donbass.
Wassyl Slipak, cantor de ópera ucraniano, no Dia da Independência da Ucrânia (24 de agosto) de 2014, em Paris. Ele morreu em 29 de junho de 2016, em Donbass. uacrisis.org/ wikimédia

Em destaque na imprensa semanal francesa, uma reportagem da revista Le Point sobre o surpreendente destino de Wassyl Slipak, um talentoso cantor lírico ucraniano que fazia a carreira em Paris até pegar nas armas para combater os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.

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Para o cantor da Ópera de Paris, o engajamento no conflito foi automático, em 2014. Aos 39 anos e no alto dos seus 1,94m de altura, relata Le Point, ele largou tudo para barrar o avanço dos separatistas que ameaçam a integridade territorial do seu país. Na região de Donetsk, Slipak não precisava praticar as sete línguas que dominava – apenas manejar kalachnikovs.

Na nova função, ele não somente abandonou os trajes de gala como adotou com gosto a postura de um guerreiro, com roupas militares e uma única mecha no cabelo, símbolo da bravura entre os cossacos. Mas nem por isso, afirma a revista, o cantor deixou de lado a sua grande paixão: entoava canções de ópera em pleno front, à espera da próxima batalha.

Foi numa troca de guarda do último mês de junho que esse nacionalista ucraniano deu o último suspiro – foi pego de surpresa por um bombardeio dos pró-russos, seguido por um forte tiroteio. Wassyl Slipak morreu como herói no país e também foi homenageado na França.

Refúgio em lar de católicos

Outro destaque das revistas francesas é a matéria de M, a semanal do jornal Le Monde, sobre a vida nova que um grupo de refugiados está conseguindo fazer em uma comunidade de irmãos católicos, no interior da França. “Da selva de Calais ao refúgio de Taizé” é o título do texto. A reportagem mostra o exemplo de uma integração cultural complexa de ser realizada hoje na França, ainda mais depois que um padre foi degolado por terroristas no norte do país.

Órfãos de Robert Parker

Les Echos Week-end revela que a região vinícola de Bordeaux está órfã desde que o mais famoso crítico de vinhos do mundo, Robert Parker, se aposentou. A revista diz que o americano revolucionou não apenas a mais conhecida região produtora da França, como toda a enologia mundial, ao mudar a maneira como os apreciadores da bebida escolhem uma garrafa.

Foram três décadas de viagens pelo mundo, em que Parker levou um château à glória ou ao esquecimento. Agora, dois anos depois da sua aposentadoria, Bordeaux ainda não encontrou o caminho para se orientar sem as opiniões do respeitado crítico, afirma Les Echos Week-end.
 

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