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França/ emprego

Discriminação de mulheres e estrangeiros gera perda de 7% do PIB francês

A ministra francesa do Trabalho, Myriam EL Khomri, promete denunciar as empresas que não melhorarem a igualdade de oportunidades.
A ministra francesa do Trabalho, Myriam EL Khomri, promete denunciar as empresas que não melhorarem a igualdade de oportunidades. PHILIPPE LOPEZ / AFP

A discriminação no mercado de trabalho francês, especialmente em relação às mulheres e aos estrangeiros, gera um custo econômico importante para o país, mas ainda é um problema minimizado pelas empresas. Segundo um estudo encomendado pelo governo, o PIB (Produto Interno Bruto) francês poderia crescer em média 6,9% se as taxas de emprego e perspectivas de carreira fossem mais igualitárias.

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Não é de hoje que a França constata que as mulheres e os filhos de imigrantes – franceses nascidos no país, mas que têm sobrenomes de origem estrangeira – têm mais dificuldades em subir na carreira do que um homem nascido de pais franceses. Ou seja: pessoas igualmente qualificadas ganham e produzem menos, ao ficarem bloqueadas em cargos abaixo das suas competências.

A pesquisa inédita, feita por um grupo de especialistas da France Stratégie, analisa o quanto esse fenômeno impacta na economia. Com um salário inferior, mulheres e descendentes de imigrantes consomem menos e pagam menos impostos – a economia deixa de ganhar de € 80 bilhões a € 310 bilhões, ressalta o estudo.

“Estamos chocados com as experiências de tantas pessoas, pela negação à igualdade e aos mesmos direitos e pela humilhação que lhes foi imposta”, disse Jean Pisani-Ferry, comissário-geral da France Stratégie, no lançamento do relatório, nesta terça-feira (20). Ele ressaltou que as dimensões humana e social do problema são prioritárias, mas a definição de um custo pode gerar a tomada de decisões mais efetivas para melhorar o quadro.

“Quando uma pessoa que tem graduação e mestrado nos conta que propuseram a ela um cargo de telemarketing, ou quando um dos melhores alunos de uma classe tem muito mais dificuldades de conseguir um emprego do que outro com um currículo medíocre, percebemos que a dimensão econômica também é importante”, argumentou.

Discriminação às mulheres gera maiores prejuízos

Foram analisados diferentes cenários de um mercado de trabalho menos discriminatório, com base em dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee). O peso da desigualdade de oportunidades e salários para as mulheres é o mais significativo, já que elas representam metade da população francesa.

Se fossem considerados apenas os descendentes de imigrantes, os prejuízos ao PIB seriam de 0,8%. O documento ressalta que, com a diminuição gradativa do problema, o impacto no crescimento econômico poderia ser corrigido em 20 anos, a um ritmo de 0,3% por ano.

Caso americano inspira

O estudo destaca o caso americano: desde os anos 1960, os Estados Unidos melhoraram o acesso de mulheres e negros a postos de comando nas empresas, uma iniciativa que, de acordo com a pesquisa, resultou em um aumento de 20% do PIB do país em 48 anos, ao dar oportunidades iguais aos profissionais que têm o mesmo grau de competências.

“Nós avaliamos a realidade da discriminação nas grandes empresas. Nós vamos iniciar um diálogo bilateral com cada uma delas. Elas terão a possibilidade de identificar e corrigir essas práticas, inclusive quando existe apenas o risco de discriminações”, disse a ministra francesa do Trabalho Myriam El Khomri, “Seremos implacáveis com as empresas que tomarem apenas medidas que maquiam o problema, como já vimos no passado. Não teremos nenhum pudor em divulgar o nome dos maus alunos.”
 

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