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Desemprego volta a subir na França e pode atrapalhar candidatura de Hollande

O número de desempregados na França aumentou.
O número de desempregados na França aumentou. PASCAL GUYOT / AFP

A nova alta da taxa de desemprego na França no mês de agosto é destaque de capa dos jornais do país nesta terça-feira (27). Os números foram divulgados na segunda-feira (26) e surpreenderam. A má notícia pode atrapalhar os planos do presidente François Hollande de se candidatar à eleição presidencial de 2017.

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O desemprego aumentou com força em agosto, freando a melhora que estava sendo registrada nos últimos meses no setor, destaca Le Figaro. No mês passado, mais de 52 mil pessoas perderam o emprego, um número recorde desde 2013 informa o jornal conservador. Isso representa uma alta de 1,4% em relação ao mês de julho.

O péssimo resultado é uma surpresa e eleva para 3,81 milhões o número de pessoas que não trabalhou nem um dia sequer durante o período, em todo o país. O desemprego volta a aumentar apesar do ativismo do governo francês que multiplica planos de ajuda para aumentar o número de vagas e formações profissionais, critica o diário.

Atentados são apontados como responsáveis

A ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, justifica o aumento pelas consequências dos atentados terroristas na França, isto é, pelas dificuldades vividas pelo setor turístico, um dos mais importantes do país, explica Aujourd'hui en France. Após os ataques de novembro, em Paris, e de julho, em Nice, o turismo nas duas regiões registra forte queda e causa impacto direto nas contratações de trabalhadores do setor.

A essa conjuntura desfavorável se soma um fator puramente técnico: em agosto os desempregados tiveram dois dias a mais para declararem sua situação, esclarece o diário. Sem esquecer o desempenho da economia francesa, que deve registrar um índice negativo de 0,1% no segundo trimestre, e crescer menos do que o esperado este ano, segundo as últimas estimativas.

Mas a tendência de recuo do desemprego continua favorável, garante a ministra El Khomri. Ela argumenta que o país registra 27 mil pessoas a menos fora do mercado de trabalho do que em janeiro deste ano, e 16,5 mil no período dos últimos 12 meses. A previsão do governo de criar 124 mil vagas em 2016, ainda é válida, garante a ministra.

Hollande condicionou candidatura à redução do desemprego

Pouco importa, o péssimo resultado complica os planos do presidente François Hollande de lançar sua candidatura para a eleição presidencial de 2017, apontam todos os jornais. Le Figaro lembra que o presidente francês condicionou sua candidatura à inversão da taxa de desemprego no país, que é atualmente uma das principais preocupações dos franceses.

O aumento de agosto é uma ducha de água fria nas esperanças de Hollande, escreve Les Echos. A frase "a situação está melhorando", martelada há meses pelo presidente, soa falso agora.

Um especialista entrevistado pelo diário econômico confirma que a crise no turismo foi realmente forte durante a temporada de verão na França. Mas essa não é a única explicação, uma vez que regiões não turísticas do país também registram altas significativas de desemprego.

Neste momento, é precipitado afirmar que os dados de agosto indicam uma nova fase de alta durável do desemprego. Mas enquanto novas estatísticas não aparecerem, o impacto político dos números publicados agora se anunciam devastadores para François Hollande, diz Les Echos.

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