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"Selva" de Calais começa a ser desmantelada nesta segunda-feira

Migrantes deixam o acampamento de Calais na véspera do início da destruição do local
Migrantes deixam o acampamento de Calais na véspera do início da destruição do local REUTERS/Pascal Rossignol

A "Selva" de Calais, favela gigantesca no norte da França onde imigrantes se amontoam em condições desumanas, começará a ser desmantelada na manhã desta segunda-feira (24). A retirada e transporte de milhares de pessoas que ali viviam para centros de abrigo temporário deve levar três semanas.   

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Localizada em frente à costa da Inglaterra, país de destino de milhares de migrantes, a chamada "Selva" de Calais viveu no domingo (23) seu último dia antes do início da retirada dos moradores.

Entre 6.000 e 8.000 migrantes procedentes em sua maioria do Afeganistão, Sudão e Eritreia serão transferidos para centros de recepção espalhados por todo o território francês.

Com a insegurança e o nervosismo que provocam na população local, o acampamento se tornou uma questão que envenena o debate na França a respeito da imigração. A situação levou o governo socialista do presidente François Hollande a anunciar no fim de setembro o desmantelamento do local.

As saídas estão previstas para começar na segunda-feira, mas na véspera os representantes dos serviços de imigração passaram o dia no local explicando como será o processo. Se alguns desistiram de ir para a Grã-Bretanha, outros já abandonaram o acampamento para tentar chegar ao destino.

Como vai funcionar a retirada dos migrantes

Durante três dias, 145 ônibus serão utilizados em sistema de rodízio para transportar os migrantes aos 300 centros de abrigo temporário em toda a França. O governo, que providenciou 7.500 vagas em alojamentos, espera concluir a operação em uma semana.

De que forma esses estrangeiros serão recebidos nos centros ainda é uma interrogação. Algumas localidades pequenas não concordaram com o plano de distribuição dos migrantes imposto pelo governo. Membros da oposição de direita citam o risco de criar várias "mini-Calais" em todo o país. Mas o ministro das Cidades, Patrick Kanner, exigiu "respeito e humanidade" para os migrantes."Acolher nestas localidades 30, 40 pessoas me parece o mínimo", disse.

Além da logística complexa, a operação é considerada delicada do ponto de vista da segurança, pois algumas pessoas podem manifestar o desejo de permanecer no local e "militantes" podem recusar o processo de evacuação do acampamento.

O ministério do Interior está preocupado com a presença em Calais de 150 a 200 membros do movimento "No border", que defende o fim das fronteiras. Mais de 1.200 policiais foram mobilizados.

Outro tema sensível é o dos 1.300 menores isolados presentes na "selva" de Calais. Paris e Londres dividem as responsabilidades pela falta de soluções ao acampamento, mas o governo britânico finalmente acelerou os procedimentos de recepção para estas crianças e adolescentes - quase 500 delas têm parentes no Reino Unido.

De acordo com o governo francês, esta semana 194 menores deixarão Calais com destino à Grã-Bretanha.
Londres se comprometeu a receber jovens com menos de 18 anos com um parente no país, mas pode ir até mais longe após uma emenda chamada "Dubs", aprovada em maio, que prevê o acolhimento de todas as crianças refugiadas vulneráveis e sem família. Pela primeira vez, 53 meninas, em sua maioria eritreias, foram admitidas no sábado (22), graças à emenda, em território britânico.

A Bélgica, temendo uma invasão de migrantes, reforçou o controle de suas fronteiras.
 

(Informações da AFP e RFI)

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