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França/Igreja/Pedofilia

Bispos da França pedem perdão por 'silêncio' diante de casos de pedofilia

Santuário de Lourdes, na França.
Santuário de Lourdes, na França. Nicolas Guérin/Wikimedia Commons

Os bispos da França, reunidos no santuário de Lourdes (sudoeste), pediram perdão nesta segunda-feira (7) pelo "longo silêncio culpado" da Igreja Católica frente aos abusos sexuais cometidos por padres.

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"Não escutamos o suficiente as vítimas (...) e faltou-nos coragem para tomar as medidas que deveriam ter sido tomadas", declarou o arcebispo de Paris, André Vingt-Trois, durante uma missa na basílica do Rosário de Lourdes, na presença de mais de cem bispos da França.

"Devemos deixar o longo silêncio culpado da Igreja e da sociedade e ouvir o sofrimento das vítimas. Os atos de pedofilia, esses crimes tão graves, violam a inocência e a integridade de crianças e jovens", afirmou, por sua vez, o responsável pela luta contra a pedofilia do episcopado, dom Luc Crepy.

Cada país define data para penitência

As jornadas de "oração e penitência" foram anunciadas em setembro pelo Vaticano, por iniciativa do papa Francisco, que deixou que cada conferência episcopal decidisse as modalidades. Vários países adotaram a iniciativa após a revelação nos últimos anos de vários escândalos de pedofilia cometidos por membros da Igreja Católica em todo o mundo.

Na Austrália, a igreja instituiu o Dia Nacional da proteção das crianças, no dia 11 de setembro, para rezar pelas vítimas de abusos sexuais. Na França, os 115 bispos que viajaram a Lourdes aproveitaram a grande assembleia anual para marcar a iniciativa sem precedentes de oração e jejum.

Padre francês foi acusado de molestar 70 escoteiros

Na diocese de Lyon (sudeste), o caso do padre Bernard Preynat, suspeito de molestar 70 jovens escoteiros, manchou até mesmo a imagem do cardeal Philippe Barbarin, uma das figuras mais influentes da Igreja Católica francesa, embora a investigação por "não denúncia" tenha sido arquivada. Outros casos foram relatados em várias partes do país, incluindo Paris, Toulouse (sul) e Clermont Ferrand (centro).

Para a associação La Parole Libérée, que reúne as vítimas do padre Bernard Preynat, essas iniciativas não são suficientes. "Não há uma vontade da Igreja por trás" dessas jornadas de oração, estima François Devaux, presidente da ONG. A associação se mobiliza para prolongar os prazos de prescrição desses crimes.

Na França, as vítimas podem apresentar uma denúncia antes de completarem 38 anos, enquanto na Suíça e no Reino Unido, as agressões sexuais contra menores são imprescritíveis.
 

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