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França/Política

Conheça François Fillon, o candidato da direita para a presidência francesa

François Fillon é contra o casamento homossexual e pretende impor cotas anuais de imigração na França
François Fillon é contra o casamento homossexual e pretende impor cotas anuais de imigração na França REUTERS/Robert Pratta

A vitória inesperada de François Fillon no primeiro turno das primárias organizadas pelos partidos de centro e de direita no domingo (20) mudou o panorama político francês. Ao derrotar o ex-presidente Nicolas Sarkozy, o discreto e conservador ex-primeiro-ministro se coloca em uma posição de favorito para ser o candidato da direita na eleição presidencial de 2017.

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Aos 62 anos, François Fillon, do partido Os Republicanos, tem uma longa carreira política. Aos 26 anos ele deu seus primeiros passos como prefeito de Sablé-sur-Sarthe, uma cidade de 12 mil habitantes no oeste do país, antes de se tornar deputado, um ano depois. Em 1993, sob a presidência de François Mitterrand e durante o governo de Édouard Balladur, ele assumiu seu primeiro ministério, do Ensino Superior e da Pesquisa. Em seguida, ele dirigiu várias pastas, como Educação, Trabalho ou Transporte.

Mas Fillon ficou realmente conhecido do grande público em 2007, ao se tornar primeiro-ministro de Sarkozy. A coabitação entre os dois foi difícil, pois além de discordar de algumas medidas políticas do presidente, ele destoava do estilo extravagante do chefe de Estado, que ele chegou a chamar de “plebeu”. Já Sarkozy, com seu linguajar direto, classificou seu premiê de simples “colaborador”, o que foi visto como um sinal de desprezo da parte do chefe de Estado que, mesmo assim, o manteve no cargo até 2012.

Católico fervoroso, contra imigração e casamento gay

Do ponto de vista político, Fillon representa uma direita tradicional. Católico fervoroso, casado e pai de cinco filhos, ele apresentou durante a campanha das primárias um programa muito liberal em temas econômicos e muito conservador em questões sociais. Entre outras medidas, o ex-premiê propõe cortar meio milhão de empregos públicos, pôr fim à semana trabalhista de 35 horas e restringir as ajudas sociais. Alguns analistas veem em suas propostas uma inspiração vinda de Margaret Thatcher.

Fillon também se pronunciou contra a lei que autoriza o casamento homossexual e a adoção de crianças por casais gays. Além disso, ele propõe fixar cotas anuais de imigração e retirar a nacionalidade dos franceses que lutam ao lado dos extremistas.

Amigo de Putin

Outra particularidade de Fillon é a proximidade com o presidente russo Vladimir Putin. "Os dois mantiveram muitos contatos quando eram primeiro-ministro de seus respectivos países", afirmou Dimitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

Depois da chegada da esquerda ao poder na França, em 2012, o ex-premiê viajou várias vezes à Rússia, em especial em 2013, para se reunir Putin. A imprensa russa considera Fillon um "amigo de Moscou" capaz de restaurar as relações entre os dois países e levantar as sanções aplicadas à Rússia depois da anexação da Crimeia em 2014

François Fillon enfrentará Alain Juppé no segundo turno das primárias no domingo (27). Ele desponta nas pesquisas e recebeu apoio de vários caciques do partido, inclusive de seu inimigo político Nicolas Sarkozy.

As primárias da direita ganharam importância especial pois as pesquisas indicam que o candidato de centro-direita terá grandes chances de chegar à presidência. A esquerda, do atual presidente François Hollande, está dividida e ainda não tem um candidato forte. 

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