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Franceses votam no segundo turno das primárias da direita

Alain Juppé e François Fillon se enfrentam no segundo turno das primárias
Alain Juppé e François Fillon se enfrentam no segundo turno das primárias Reuters

Os franceses começaram a votar às 8h deste domingo (27) no segundo turno das primárias da direita, que vai escolher o candidato à eleição presidencial de 2017. O ex-primeiro-ministro François Fillon, com seu plano de choque liberal, lidera a disputa contra o também ex-premiê Alain Juppé, mais moderado.

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Diante de um governo de esquerda dividido e impopular, o vencedor da direita tem grandes chances de se tornar o presidente da França em maio do próximo ano, depois de uma possível disputa final com a líder da extrema-direita Marine Le Pen.

O primeiro turno das inéditas primárias da direita francesa, inspiradas no modelo americano, mobilizou no último domingo mais de 4 milhões de eleitores, número superior às expectativas.

François Fillon, 62, que foi primeiro-ministro do ex-presidente Nicolas Sarkozy durante cinco anos (2007-2012), surpreendeu na primeira etapa com 44% dos votos, 16 pontos a mais do que Juppé, 71, que liderou as pesquisas durante meses.

Sarkozy, que buscava um segundo mandato após sua derrota nas eleições de 2012 contra o socialista François Hollande, foi eliminado, superado por seu discreto ex-primeiro-ministro, a quem costumava chamar de "Mr. Nobody" (Sr. Ninguém).

Apesar de suas diferenças pessoais, o ex-presidente anunciou seu apoio a Fillon, com quem compartilha posições políticas "mais próximas", diminuindo as chances de Juppé, que também foi seu ministro.

As últimas pesquisas mostram uma vitória de Fillon com 65% dos votos contra 35% para Juppé.

Fillon, católico devoto

François Fillon, com um programa que combina um enfoque liberal na parte econômica e conservadora no social, se apresenta como o único candidato capaz de reformar a França.

O programa desse advogado admirador de Margaret Thatcher é mais radical que o de seu adversário. Propõe cortar o gasto público em € 100 bilhões, suprimir 500 mil cargos do funcinalismo público e eliminar uma das leis mais emblemáticas da esquerda socialista francesa: a jornada de trabalho de 35 horas.

Sobre temas de sociedade, Fillon, um católico devoto e pai de cinco filhos, propõe reservar a adoção plena para casais heterossexuais. Ele também se posiciona a favor de uma aliança com a Rússia para erradicar o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Juppé, liberal no plano econômico

Juppé, ex-primeiro-ministro do ex-presidente Jacques Chirac (1995-1997) e cinco vezes ministro, é um liberal no plano econômico.

O prefeito de Bordeaux defende a supressão de 250 mil postos públicos, entre € 85 e 100 bilhões de cortes no gasto público e o fim da jornada de trabalho de 35 horas.

Entretanto, ao contrário de seu adversário, que promete mudanças profundas nos primeiros três meses de seu mandato, Juppé promete reformas "progressivas".

Ainda assim, critica a visão de Fillon "extremamente tradicionalista" sobre a sociedade e mantém uma posição crítica com o Kremlin.

Participação é incógnita

A participação no segundo turno, aberta a todos os franceses com direito a voto, será a grande incógnita de domingo.

No primeira turno, 600 mil eleitores de esquerda foram às urnas com o objetivo principal de tirar Sarkozy da corrida para o Palácio do Eliseu.

Uma vez alcançado este objetivo, muitos poderiam ficar em casa. Os territórios ultramarinos começarm a votar no sábado (26), e os franceses no exterior podem votar eletronicamente.

Na França, os centros eleitorais abrirão no domingo às 8h e fecharão às 19h locais.
 

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