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França

Com Hollande fora da corrida presidencial, caminho está livre para Valls

O presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro Manuel Valls, no dia 30 de novembro no Palácio do Eliseu.
O presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro Manuel Valls, no dia 30 de novembro no Palácio do Eliseu. REUTERS/Philippe Wojazer

A saída do presidente francês, François Hollande da corrida presidencial pegou a população de surpresa. A decisão, anunciada na noite de quinta-feira (1°), beneficia principalmente o primeiro-ministro Manuel Valls, que nunca escondeu sua intenção de assumir a liderança entre os socialistas nas eleições de 2017.

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A França acordou incrédula nesta sexta-feira (2), depois de um anúncio que supreendeu o país inteiro. Chegou-se até mesmo a especular que Hollande se apresentaria como candidato a um segundo mandato sem nem mesmo passar pelas primárias da esquerda francesa, que serão realizadas em janeiro. Mas a apenas cinco meses das eleições e com cerca de 7% das intenções de voto, segundo as últimas pesquisas, o presidente não teve escolha.

Hollande protagoniza uma situação inédita da história: jamais desde 1958 um chefe de Estado francês em exercício renunciou a lutar pela reeleição. Se alguém pode comemorar o anúncio, é o primeiro-ministro Manuel Valls. No domingo (27), o premiê balançou o governo socialista, ao conceder uma entrevista à imprensa francesa na qual não descartava se alistar à corrida presidencial, mesmo que a decisão pudesse coincidir com um anúncio de candidatura de Hollande.

Há poucos meses o chefe de governo havia descartado qualquer possibilidade de se lançar como candidato se o presidente tivesse a mesma intenção. Hollande e Valls chegaram a se reunir no início desta semana para aliviar as tensões e a maré de especulações que geraram a mudança de posição do premiê.

Valls se alia à Hollande para reunificar socialistas

Nesta sexta-feira, entre as diversas reações da classe política francesa em relação à desistência do presidente, destaca-se a de Valls. Do primeiro-ministro ousado e desobediente, ele encarna agora uma postura resiliente e engajada na defesa dos cinco anos de governo de Hollande. "Nós devemos defender os resultados dessa administração. (...) Eu o farei, como tenho feito incansavelmente em minhas funções desde 2012", declarou.

Para o premiê, a escolha de Hollande de não se apresentar como candidato é "madura e extretamente bem pensada". A decisão, segundo Valls, não foi fácil e "reforça o respeito pela dignidade" do presidente. "Sem dúvidas, a história colocará em perspectiva esses cinco anos de ação", elogiou.

Acusado pelos partidários de Hollande de ter se precipitado e forçado a desistência do presidente, o premiê agora não poupa esforços para tentar demonstrar seu apoio ao chefe de Estado e de reunificar a esquerda francesa, completamente fragmentada. "François Hollande sempre esteve engajado e foi corajoso diante dos numerosos desafios. Ele fez isso pelo país e pelos franceses. Eu estava a seu lado", declarou.

Tentando acabar com as especulações sobre a rivalidade que teria com presidente, Valls se disse "orgulhoso de ter sido seu ministro do Interior e ser seu primeiro-ministro". "Quero dizer aos franceses, a todos os franceses, que a decisão do presidente da República é a de um homem de Estado, e quero também dizer ao presidente, a título pessoal e, isso ele já sabe, que tenho muito respeito e afeição por ele", martelou o premiê.

Outras candidaturas na esquerda

Outros líderes de linha mais progressista, como os ex-ministros Arnaud Montebourg e Benoît Hamon, que renunciaram do governo em 2014, em desacordo com a linha econômica adotada pelo executivo, anunciaram sua intenção de se apresentar às primárias da esquerda. Além disso, existem também as candidaturas do comunista Jean-Luc Mélenchon, que obteve 11% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2012, e de Emmanuel Macron, ex-ministro de Hollande, mais voltado ao centro.

Enquanto isso, diante de uma esquerda fragmentada, a direita francesa já está pronta para a batalha. Os conservadores designaram na semana passada o ex-ministro François Fillon, de 62 anos, como candidato presidencial. Segundo as últimas pesquisas, Fillon, um conservador católico que promete reformas econômicas profundas, lideraria o primeiro turno, à frente da líder de extrema-direita Marine Le Pen, que tem grandes chances de passar ao segundo turno das presidenciais, como fez seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2002.

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