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França/Presidencial

Valls deixa cargo de premiê e anuncia candidatura à presidência

Manuel Valls durante anúncio de sua candidatura à presidência em Evry, ma periferia de Paris
Manuel Valls durante anúncio de sua candidatura à presidência em Evry, ma periferia de Paris France TV

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, anunciou nessa segunda-feira (5) sua candidatura à eleição presidencial de abril de 2017. O premiê entregará o cargo para participar das primárias da esquerda, que acontecem em janeiro.

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"Sou candidato à presidência da República", declarou Valls em Evry, cidade da periferia de Paris onde foi prefeito durante onze anos. "Tenho em mim essa fé, essa vontade de servir meu país. É uma convicção total", completou o premiê. 

Com um partido enfraquecido, Valls fez questão de frisar que sua candidatura deve representar a reconciliação. "Quero unir a esquerda", disse o premiê, que se comprometeu em fazer com que a "França não reviva o trauma de 2002". A declaração faz alusão à chegada de Jean-Marie Le Pen, líder da extrema-direita, no segundo turno das presidenciais que resultaram na reeleição de Jacques Chirac. 

O anúncio acontece poucos dias depois do presidente francês, François Hollande, ter informado que não será candidato à reeleição. Em seu discurso, Valls elogiou a decisão, digna de "um homem de Estado, que coloca o interesse geral acima de tudo".

Ainda não está definido quem vai substituir o chefe do governo. Entre os nomes que aparecem para o cargo de premiê estão os dos ministros Bernard Cazeneuve (Interior), Jean-Yves Le Drian (Defesa), Stéphane Le Foll (Agricultura), Marisol Touraine (Saúde) e Najat Vallaud-Belkacem (Educação).

Aos 54 anos, Manuel Valls, faz parte da ala mais linha dura do Partido Socialista e é visto por seus opositores como um personagem autoritário. Antes de assumir o cargo de primeiro-ministro, em março de 2014, ele foi ministro do Interior durante quase dois anos. Ele se destacou por posições que nem sempre agradaram, inclusive dentro de sua legenda. Como chefe do governo, ele impôs uma reforma trabalhista, chegou a elogiar o mundo empresarial, e lançou o polêmico debate sobre a proibição nas praias francesas do burkini, o traje de banho para as mulheres muçulmanas. 

Nascido em Barcelona, Valls obteve a nacionalidade francesa em 1982. Ele faz parte de uma nova geração de políticos fruto da imigração, como a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, nascida na Espanha, a ministra da Educação Najat Vallaud-Belkaceme, nascida no Marrocos, ou ainda o deputado brasileiro Eduardo Rihan Cypel. 

Outras candidaturas na esquerda

Outros líderes de linha mais progressista, como os ex-ministros Arnaud Montebourg e Benoît Hamon, que deixram o governo em 2014, em desacordo com a linha econômica adotada pelo executivo, anunciaram sua intenção de se apresentar às primárias da esquerda. Além disso, existem também as candidaturas do comunista Jean-Luc Mélenchon, que obteve 11% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2012, e de Emmanuel Macron, ex-ministro de Hollande, mais voltado ao centro, e que se recusa a participar das primárias. 

Enquanto isso, diante de uma esquerda fragmentada, a direita francesa já está pronta para a batalha desde que o ex-ministro conservador François Fillon, de 62 anos, foi designado como candidato presidencial. Segundo as últimas pesquisas, Fillon, um católico que promete reformas econômicas profundas, lideraria o primeiro turno, à frente da líder de extrema-direita Marine Le Pen, que tem grandes chances de passar chegar ao segundo turno das presidenciais, como fez seu pai, em 2002.

O dia 15 de dezembro é o prazo final para a apresentação das candidaturas às eleições primárias organizadas pelo Partido Socialista, que deve designar o nome da formação a disputar a eleição presidencial de abril de 2017.

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