Acessar o conteúdo principal

Candidatos da primária da esquerda francesa realizam 1° debate nesta quinta

No alto, da esquerda para a direita: Jean-Luc Bennahmias, Benoît Hamon e Arnaud Montebourg. Embaixo, da esquerda para à direita: Vicent Peillon, Sylvia Pinel, François de Rugy e Manuel Valls.
No alto, da esquerda para a direita: Jean-Luc Bennahmias, Benoît Hamon e Arnaud Montebourg. Embaixo, da esquerda para à direita: Vicent Peillon, Sylvia Pinel, François de Rugy e Manuel Valls. REUTERS/Staff

Sete candidatos vão participar nesta quinta-feira  (12) do debate da primária da esquerda francesa, que acontece em dois turnos (22 e 29 de janeiro), para escolher o candidato às eleições presidenciais de abril e maio. O evento será transmitido, a partir das 21h, pelos canais TF1, LCI, Public Sénat e RTL.

Publicidade

São eles o ex-primeiro-ministro Manuel Valls e os ex-ministros Arnaud Montebourg, Benoît Hamon e Vincent Peillon, todos do Partido Socialista, além de Sylvia Pinel (Partido Radical de Esquerda), François de Rugy (Partido Verde) e Jean-Luc Bennahmias (Frente Democrática).

De acordo com pesquisa publicada no domingo (8), Valls está muito à frente dos demais concorrentes no primeiro turno, mas sua vitória não é garantida no segundo.

Entre as questões que dividem os candidatos, há a recente reforma da lei trabalhista, símbolo do governo de Hollande, cuja revogação é reclamada por Hamon e Montebourg.

Sobre a Europa, se os candidatos compartilham o mesmo diagnóstico de uma "crise" da UE, diferem radicalmente sobre a estratégia para iniciar reformas, como sobre o respeito ou não dos compromissos de déficit orçamental da França.

Perfis e propostas

Durante o debate, os candidatos deverão tentar marcar suas diferenças sem apelar, a fim de permitir alianças posteriores. Conheça abaixo o perfil e as propostas de cada um.

Manuel Valls: o ex-primeiro-ministro de François Hollande de 54 anos, que deixou o cargo para se dedicar à campanha, terá que assumir as decisões do seu governo e jogar a carta da reconciliação de uma esquerda dividida. Ele considera os gastos públicos indispensáveis e promete investir 2% do PIB na defesa, além de aumentar o orçamento nas áreas de segurança, justiça, educação e pesquisa. Tem 43% nas pesquisas de intenção de voto.

Arnaud Montebourg: o advogado de 54 anos foi deputado e ministro da Economia. Ele foi candidato das primárias de 2011, quando François Hollande saiu vitorioso. O candidato pretende reservar durante 8 anos cerca de 80% do mercado público dos hospitais e do Estado às pequenas e médias empresas. A medida vai contra o príncipio de livre concorrência da União Europeia, mas Montebourg avisou que assumirá as sanções. Tem 25% das intenções de voto (2° lugar).

Benoît Hamon: ex-ministro da Educação Nacional, tem 49 anos e representa o grupo dos insatisfeitos com o rumo do governo socialista. "Os eleitores de esquerda não vão endossar um governo que fracassou, da lei trabalhista à retirada da nacionalidade dos terroristas", disse. Ele quer centrar sua campanha em "temas importantes, como o desemprego e a pobreza". Hamon propõe a retomada do projeto da redução do tempo de trabalho iniciada por Martine Aubry, quando era ministra do Trabalho no governo de Lionel Jospin (1997-2002), e a criação de um salário universal. Tem 22% das intenções de votos, sendo o terceiro colocado nas pesquisas.

Vincent Peillon: foi ministro da Educação do governo de Jean-Marc Ayrault, de 2012 a 2014, e tem 56 anos. Ex-deputado na França e no Parlamento Europeu, ele quer ser "o candidato da união". Ele defende o mandato de François Hollande, dizendo que os julgamentos sobre o presidente são injustos e que os franceses ainda vão se dar conta disso. Entre suas promessas estão "o relançamento do motor econômico franco-alemão no continente e criação de um New Deal europeu". Este último é a elaboração de um orçamento da zona do euro para apoiar as atividades econômicas e a criação de emprego, lançar um plano de investimentos de € 1 bilhão e a promover "um pilar social". Peillon tem 7% nas pesquisas.

Sylvia Pinel: única candidata mulher, a ex-ministra da Habitação de 39 anos tem um programa baseado na ajuda às empresas. Ela propõe a diminuição dos impostos a 20%, contra os 30% atuais. Ela defende também a criação de um crédito de impostos para favorecer os contratos fixos. Tem 2% nas pesquisas.

François de Rugy: deputado e vice-presidente da Assembleia Nacional, tem 42 anos e faz parte dos candidatos que não se mostram insatisfeitos com a esquerda e que apoiam o governo de Hollande. Ele se apresenta como "ecologista e reformista" e promete implantar uma programação plurianual de energia.Tem 1% nas pesquisas.

Jean-Luc Bennahmias: aos 61 anos, o atual presidente da Frente Democrática foi eurodeputado entre 2004 e 2014. Entre suas propostas estão a legalização da maconha, a aplicação do Acordo de Paris e uma lei de transição energética. Ele também pretende implantar, a exemplo da Finlândia, um salário universal e a criação de "um orçamento único europeu", uma ideia ousada em tempos de euroceticismo. Porém o candidato tem chances quase nulas de passar ao segundo turno, tendo apenas 0,5% das intenções de votos de acordo com pesquisa Harris Interactive de 5 de janeiro.

Esquerda dividida

À margem das primárias, Jean-Luc Mélenchon, do Partido Comunista, e o ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron, que rompeu com os socialistas, lançaram suas candidaturas de forma independente, o que agrava ainda mais a divisão da esquerda.

O vencedor das primárias vai enfrentar no primeiro turno o conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, e a candidata da extrema-direita Marine Le Pen, da Frente Nacional, anunciados como os dois favoritos.

"A esquerda, totalmente fragmentada, parte em uma posição muito difícil para as eleições presidenciais", analisa Jean-Daniel Levy, do instituto de pesquisas Harris Interactive. "Há uma oferta eleitoral totalmente dispersa, com vários candidatos e horizontes políticos totalmente distintos, incluindo uma parte importante de ex-ministros", acrescenta Levy.

Nesse contexto, todas as pesquisas apontam que nenhum candidato da esquerda conseguiria se qualificar para o segundo turno das eleições presidenciais.

Participação menor

A decisão do presidente François Hollande de não disputar a reeleição, após um primeiro mandato impopular, abriu o caminho para o premiê Manuel Valls, que, convencido de ser o único candidato capaz de "unir a esquerda", deixou o governo para embarcar na corrida presidencial.

As pesquisas mostram que esse catalão de nascimento, de 54 anos, é o preferido dos simpatizantes socialistas, apesar da forte oposição em suas próprias fileiras por sua personalidade inflexível e seu discurso favorável às empresas.

Valls vai enfrentar dois de seus ex-ministros, Arnaud Montebourg e Benoît Hamon, representantes da ala mais à esquerda do PS, que foram excluídos do governo em 2014 depois de declarações críticas contra a linha econômica liberal adotada pelo Executivo.

Os organizadores das primárias preveem uma participação menor daquela de 2011, quando 2,7 milhões de franceses foram às urnas para eleger o candidato socialista à presidência.

Como nas primárias da direita de novembro passado, o voto será aberto a todos os franceses com mais de 18 anos, desde que paguem € 1 e assinem uma carta de compromisso com os valores da esquerda.

Jean-Daniel Lévy concorda que há um "significativo desinteresse" por parte dos eleitores. "Em 2011, os eleitores estavam convencidos de que tinham uma chance de ganhar a eleição presidencial, agora acreditam que não há nenhuma chance de vitória", disse ele.

Newsletterselfpromo.newsletter.text

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.