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França

Macron, candidato à presidência da França, assusta até extrema-direita

Emmanuel Macron reuniu 5.000 pessoas em seu comício em Lille, no norte, em 14 de fevereiro de 2017
Emmanuel Macron reuniu 5.000 pessoas em seu comício em Lille, no norte, em 14 de fevereiro de 2017 REUTERS/Pascal Rossignol

A campanha eleitoral francesa está esquentando e os partidos estão mais mobilizados do que nunca para atrair os eleitores que irão às urnas em maio. E em plena efervescência política, Emmanuel Macron disparou de forma excepcional diante dos candidatos de todas as tendências.

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A manchete do jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta segunda-feira (16) reflete bem o que está acontecendo hoje na cena política francesa: "A Frente Nacional vê em Macron un concorrente direto".

Com a fragmentação da esquerda, a projeção para o segundo turno era um duelo entre Marine Le Pen, da extrema-direita, e François Fillon, da direita, do partido Os Republicanos, do ex-presidente Nicolas Sarkozy. Mas a ascensão fulgurante do ex-ministro da Economia de François Hollande, Emmanuel Macron, vem desestabilizando as peças do tabuleiro político e levantando, pela primeira vez, a possibilidade de uma eventual presença da esquerda no segundo turno.

A prova é que Macron passou a ser uma preocupação para a Frente Nacional que, até o momento, concentrava seus ataques no rival Fillon. Em seu comício neste fim de semana, Macron mandou um recado direto aos seus partidários contra o FN, mostrando sua vontade de ser "um escudo diante de um partido que defende o ódio, a exclusão e o confinamento". A mensagem obrigou a extrema-direita a rebater: "Macron tem as mídias com ele. É um impostor e vai, pouco a pouco, decair", replicou Jean-Lin Lacapelle, secretário-geral adjunto do partido. Esse ponto de vista, porém, não é compartilhado pelo diretor de campanha de Marine, David Rachline, que admitiu que "o homem se tornou um concorrente direto, no mesmo nível que Fillon".

Macron e seu movimento "Em Marcha"

Emmanuel Macron é um candidato sem partido. Ele fundou em abril do ano passado o movimento "Em Marcha!", baseando-se na rejeição da população ao sistema político tradicional. Ironizado inicialmente pela classe política, inclusive pelos socialistas, que não o consideravam um nome confiável, hoje sua candidatura vem recebendo apoios de peso.

O próprio campo socialista, dividido, não descarta apoiar Macron como uma opção para enfrentar Marine Le Pen e descartar Fillon do segundo turno. O secretário-geral do movimento "Em Marcha!", Richard Ferrand, afirma que a dinâmica em torno de Macron não para de se intensificar e os apoios estão vindo, da esquerda e da direita.

Primária do PS e aliados vai definir apoios de peso a Macron

Diversas figuras políticas aguardam o resultado da primária do Partido Socialista e aliados, em 29 de janeiro, para decidir se apoiam Macron. Entre elas está a ex-presidenciável socialista, Ségolène Royal, atual ministra do Meio Ambiente que, nos bastidores, já mostrou sua simpatia pelo jovem candidato, assim como o ministro das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault.

Alguns políticos calculam que se o ex-primeiro-ministro Manuel Valls perder a primária, seus partidários se voltarão para Macron; e o apoio do próprio Valls não está descartado, a fim de fortalecer a esquerda nas eleições. Na mesma linha, até o presidente François Hollande, que renunciou a se reeleger, poderia se unir ao coro de Macron.

Uma coisa é certa, o mais jovem dos candidatos à presidência conseguiu o que qualquer político deseja antes de uma eleição: todo mundo fala dele. E isso pode render votos.

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