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Deputados da ala direita do PS se recusam a apoiar Hamon na França

O candidato do PS às eleições presidenciais, Benoît Hamon promete "unir todos os socialistas" numa esquerda inovadora.
O candidato do PS às eleições presidenciais, Benoît Hamon promete "unir todos os socialistas" numa esquerda inovadora. REUTERS/Christian Hartmann

Deputados franceses da ala direita do Partido Socialista (PS), aliados do pré-candidato e ex-primeiro-ministro Manuel Valls, se recusam a apoiar a candidatura do vencedor das primárias do partido, Benoît Hamon. Eles publicaram nesta terça-feira (31) um artigo na imprensa francesa defendendo o "direito de retirada", isto é, de não participar da campanha do candidato do partido às eleições presidencais francesas.

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O texto, publicado no jornal Le Monde, é assinado pelos deputados Christophe Caresche, de Paris, e Gilles Savary, da Gironde. Mas a posição que eles defendem foi tirada após uma reunião e representa cerca de 25 políticos da ala direita do PS, chamados de "reformadores". Os participantes se recusam a participar desta "aventura aleatória de uma esquerda radicalizada" e pedem a liberdade de não apoiar o candidato oficial do partido.

Eles assumem publicamente o que muitos socialistas pensam. A vitória de Benoît Hamon no segundo turno das primárias no domingo (29), com 58,8%, é "clara, legítima e inconstestável, mas que diferença com as eleições de 2011!", lamentam os autores. Eles lembram que a sigla saiu do processo que escolheu o então candidato François Hollande reforçada, enquanto que hoje "as divisões são mais profundas do que nunca, revelando um racha real entre duas concepções políticas".

Os deputados reclamam principalmente da iniciativa de Benoît Hamon de tentar uma aliança com o candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon. "Esta não é uma linha para uma eleição presidencial e a posição de Hamon vai provocar uma espécie de marginalização", acredita Caresche. Savary denuncia um "programa de demissão, repleto de promessas de uma sociedade de assistência", no qual ele não se reconhece. Eles lembram que durante cinco anos foram leais ao presidente François Hollande e ao ex-premiê Manuel Valls, coisa que Benoît Hamon e seus colegas da ala esquerda não fizeram, complicando a implantação da política do governo.

No entanto, ao contrário de outros socialistas, os deputados não assumem ainda que vão apoiar a candidatura de Emmanuel Macron, do movimento En Marche (Em Marcha), apesar de reconhecer que a linha ideológica do ex-ministro da economia é muito mais próxima da deles.

Hollande em uma posição delicada

O secretário-geral do PS, Jean-Christophe Cambadélis, não está preocupado com esse pedido de "direito de retirada" e garante que os deputados socialistas começam "devagarzinho, mas com certeza" a se mobilizar na campanha de Benoît Hamon.

O presidente François Hollande, que recebe na próxima quinta-feira (2) o vencedor das primárias, está em uma posição delicada. A expectativa é grande em saber se o chefe de Estado irá apoiar seu ex-ministro da Educação Benoît Hamon que combateu intensamente sua política desde que deixou o governo ou se irá se desligar do partido que dirigiu durante uma década.

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