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"E se os ataques de Trump acordassem a Europa?", pergunta jornal francês

O presidente francês François Hollande discursa durante o encontro da União Europeia, em Malta.
O presidente francês François Hollande discursa durante o encontro da União Europeia, em Malta. REUTERS/Yves Herman

Esta é a manchete do caderno Ideias & Debates do jornal econômico francês Les Echos nesta sexta-feira (10). Segundo o diário, os recentes ataques do presidente americano contra sua aliada histórica forçam a Europa a "sair de sua ingenuidade e a reafirmar sua potência".

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"Mesmo se a reunião de cúpula em Malta expôs a eterna divisão entre seus membros, a União Europeia consegue avançar, no entanto, sobre duas questões: a criação de um sistema de defesa comum e a fortalecimento de uma Europa em duas velocidades", publica Les Echos.

Segundo Gabriel Grésillon, correspondente do jornal em Bruxelas, a administração Trump "parece apostar hoje em dia numa explosão próxima da Zona do Euro e não "hesita mais em pressionar suas divisões internas para enfraquecer o euro". Para Les Echos, a Europa precisaria "deixar de lado sua ingenuidade para conseguir sobreviver num mundo dominado pelos Estados Unidos, pela China e pela Rússia". Ainda segundo Les Echos, os dirigente europeus deram uma primeira mostra de estarem entendendo o recado durante a reunião de cúpula da Uniao Europeia no início de fevereiro, em La Valette, na Ilha de Malta.

Brexit, apenas um "aquecimento" ?

"O Brexit foi só um aquecimento?", pergunta com ironia o diário econômico, afirmando que os dirigente europeus estão lidando com a chegada de Donald Trump ao poder com o mesmo sentimento de prostração e estupor em relação ao inesperado do Brexit, com a sensação "cada vez mais clara de que a União Europeia se encontra ameaçada, mas desta vez pelo mais poderoso de nossos aliados", escreve Les Echos.

"Segundo o bilionário americano, a Otan seria uma organização obsoleta e a União Europeia um clube que não pára de se desintegrar e que serviria unicamente aos interesses da Alemanha", afirma o jornal francês. "Ted Malloch, conselheiro de Trump na pasta do Comércio, e às vezes citado como futuro embaixador dos Estados Unidos em Bruxelas, afirma que os alemães aproveitam de um euro supervalorizado para explorar seus parceiros europeus", publica Les Echos.

Com ironia, o jornal econômico afirma que Malloch, que "deseja um emprego" na "diplomacia de Bruxelas", não teve papas na língua quando declarou recentemente: "já tive postos diplomáticos no passado que me permitiram de ajudar a destruir a União Soviética. Agora talvez seja a hora de ajudar a domar uma outra União", numa clara referência à Europa.

Para Les Echos, os europeus reagem aos avanços de Trump e seu governo com uma "mistura de uma vontade comum de seguir juntos e a mesma incapacidade de sempre de unificar suas vozes". "A Europa então identificou uma necessidade dupla para sua sobrevivência", escreve o diário francês: "ela precisa não apenas se fortalecer, mas também ganhar agilidade em relação à diplomacia do Twitter", afirma Les Echos, numa clara alusão ao método Trump.

"De passagem", finaliza Les Echos, "esse episódio traz uma oportunidade para a França, numa Europa sem o Reino Unido, onde a defesa se torna uma questão prioritária. O presidente francês François Hollande disse claramente durante a reunião de cúpula de Malta - a França é o único país da União Europeia a possuir armas atômicas e uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU", finaliza o jornal.
 

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