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Imprensa

Candidato à presidência gera polêmica ao criticar colonização francesa na Argélia

O candidato centrista à presidência, Emmanuel Macron, em visita à Argélia no dia 13 de fevereiro de 2017.
O candidato centrista à presidência, Emmanuel Macron, em visita à Argélia no dia 13 de fevereiro de 2017. REUTERS/Ramzi Boudina

Dois dos principais jornais franceses, Le Figaro e Libération, tratam nesta sexta-feira (17) de uma polêmica provocada pelo candidato centrista à presidência, Emmanuel Macron. Em visita à Argélia, na última quarta-feira (15), o líder do movimento "Em Marcha" declarou que a colonização francesa foi "um crime contra a humanidade, uma verdadeira barbárie” e incendiou a classe política francesa.

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Emmanuel Macron também propôs que a França apresentasse desculpas oficiais em relação aos crimes cometidos durante a colonização da Argélia. Em 1830, a França tomou o país, que ficou sob domínio francês até 1962. Um passado, segundo o centrista, que os franceses devem “olhar de frente”, reconhecendo “aqueles que foram vítimas de nossos gestos”.

As declarações suscitaram reações tanto da extrema-direita e da direita, nas quais o ex-ministro da Economia de François Hollande tem muitos inimigos, mas também no próprio Partido Socialista.

Segundo o candidato da direita à presidência, François Fillon, a atitude de Macron mostra o ódio que o centrista tem da história francesa. Para o republicano, as declarações do rival não são dignas de um candidato à presidência. De acordo com o líder do partido Os Republicanos, Bernard Accoyer, "declarações como essas podem alimentar ainda mais um mal-estar de identidade e atrapalhar a coesão nacional".

Quem também reagiu de forma violenta foi a líder da extrema-direita, Marine Le Pen. "Tem algo mais grave quando queremos ser presidente e vamos a um país estrangeiro acusar sua própria nação de crime contra a humanidade?", escreveu a candidata da Frente Nacional em seu Twitter.

Segundo alguns representantes do Partido Socialista, o comportamento do Macron é "oportunista", já há que alguns meses, em uma entrevista à revista francesa Le Point, o ex-ministro declarou que a colonização da França na Argélia contou com práticas de tortura, mas também é responsável, segundo ele, pela evolução do país e a evolução da sociedade argelina.

Macron não se arrepende

Em entrevista publicada pelo Figaro nesta sexta-feira (17), Macron se defende, e diz não se arrepender das declarações. Segundo ele, essa polêmica serve para mostrar em que estado está hoje a França, que só aceita enxergar uma parte de sua história.

Para o centrista, é preciso reconhecer as barbáries praticadas durante a colonização como "crimes contra a humanidade". "Isso não quer dizer que os franceses que viviam na época da colonização na Argélia e serviam ao exército francês eram criminosos, porque, o único responsável, é o Estado francês", pondera.

Segundo o candidato centrista, é preciso que os franceses reconstruam as memórias fraturadas já que a França está hoje bloqueada pelo que chama de "uma triste paixão por sua história", o que, ressalta, impede o país de evoluir.

Reconhecer atrocidades durante a colonização é algo “óbvio”, diz Libération

Já o jornal Libération minimiza a polêmica e diz que considerar as barbáries da colonização como "crimes de guerra" é algo óbvio, não apenas na Argélia, mas em todas as colônias francesas, como Tunísia, Marrocos, Indochina, entre outras. "Qualquer historiador sério sabe dos crimes, massacres e atrocidades que foram cometidos" durante a colonização francesa, diz o historiador Benjamin Stora, em entrevista ao diário.

Para ele, as declarações de Macron não são nem um pouco revolucionárias. "Quando falamos da história francesa, mencionamos aspectos gloriosos, mas raramente as partes obscuras, quando sabemos que elas existem", reitera o historiador.

Stora acredita que a intenção de Macron de pedir desculpas à Argélia é um pragmatismo que ainda falta aos franceses. Ele lembra que os Estados Unidos, ao pedirem desculpas aos crimes de guerra cometidos no Vietnã, permitiram que Washington reabrisse sua embaixada no país e que os vietnamitas se tornassem um grande parceiro comercial dos americanos.

A atitude da França em relação à Argélia e também aos outros países colonizados está longe de ter o mesmo rumo, avalia o historiador. Segundo ele, é isso o que envergonha a esquerda e incendia a direita e a extrema-direita.

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