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França/Eleições

Escândalos não abalam liderança de Le Pen nas pesquisas

A candidata do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, durante coletiva em Paris. 23/02/17
A candidata do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, durante coletiva em Paris. 23/02/17 REUTERS/Philippe Wojazer

O jornal Libération desta sexta-feira (24) dedica extensa reportagem para explicar por que a candidata da extrema-direita Marine Le Pen continua liderando as pesquisas eleitorais apesar dos inúmeros escândalos envolvendo o partido e seus colaboradores.

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O caso mais recente é o de sua amiga e assistente, Catherine Griset, indiciada pela justiça por um suposto crime de corrupção. Chefe de gabinete e ao mesmo tempo assistente parlamentar de Marine Le Pen no parlamento europeu, Catherine é suspeita de receber dinheiro do contribuinte europeu, mas trabalhar para o partido francês Frente Nacional. Marine Le Pen é investigada e tem uma parte do salário de deputada confiscada, escreve Libération.

Além dessa acusação de emprego fantasma de sua assessora, o patrimônio pessoal de Marine Le Pen e o financiamento da últimas campanhas da Frente Nacional estão na mira da justiça, lembra o jornal. A maior suspeita é de que o dinheiro de colaboradores ou de financiamento de campanhas seja desviado para o caixa do partido de extrema-direita.

A situação de Marine Le Pen não é muito diferente da de outro candidato, François Fillon, do partido Os Republicanos, que é investigado por um suposto emprego fantasma de sua mulher.

No entanto, o impacto dos escândalos não é o mesmo, afirma o jornal. Fillon enfrenta protestos e caiu nas últimas sondagens, mas Le Pen continua firme na liderança das pesquisas com até 26% das intenções de voto. Outro dado que faz a líder da extrema direita sorrir abertamente como na foto que ilustra a reportagem: 77% de seus eleitores dizem estar convencidos do voto, contra 59% dos eleitores de outros candidatos.

“Perdão” dos eleitores

Para Libération, ainda é preciso avaliar o impacto da defesa da Frente Nacional, que acusa seus adversários políticos de armarem um complô. O argumento não é exclusivo de Marine Le Pen, ressalta a reportagem, mas é coerente com o discurso tradicional do partido de ser vítima do "sistema", por mais vaga que seja essa expressão.

No caso de sua assistente parlamentar, o "sistema" seria a União Europeia, que estaria tentando prejudicar a candidatura de Le Pen à eleição presidencial francesa, discurso que agrada aos seus eleitores. Além disso, muitos de seus partidários também concordariam em usar “o dinheiro da Europa” para ela fazer política na França.

Libération sugere outra hipótese para justificar a liderança de Marine Le Pen nas sondagens. Mesmo conscientes dos argumentos contestáveis da candidata, os eleitores da Frente Nacional estão tão cansados dos partidos tradicionais que preferem “perdoar a candidata” porque estão mais interessados em que ela aplique seu programa claramente anti-imigração e anti-islã.

"Mais do que uma França honesta e transparente, o compromisso do partido com seis eleitores é de um país fechado e homogêneo", escreve a publicação.

Para o jornal, os adversários políticos de Marine Le Pen se enganam ao contar com os desdobramentos na justiça para tentar frear o avanço da candidata extremista.

 

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