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Imprensa

Duas crianças são mortas por dia pelos próprios pais na França

Tony, menino de 3 anos morto por espancamento em Reims, no nordeste da França.
Tony, menino de 3 anos morto por espancamento em Reims, no nordeste da França. François NASCIMBENI / AFP

Os principais jornais franceses tratam do plano que o governo francês apresenta nesta quarta-feira (1°) para proteger as crianças das violências vividas em suas próprias casas. Segundo o jornal Le Monde, cerca dois menores morrem por dia no país vítimas de agressões dos pais ou responsáveis.

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O diário francês ressalta que poucos estudos são realizados sobre a questão no país, por isso os poucos dados existentes devem ser muito mais graves. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional da Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) estima que entre 400 e 800 menores de 15 anos morrem por ano na França, vítimas de agressões nas famílias, uma média de cerca de duas crianças por dia.

De acordo com o jornal Aujourd'hui en France, desde o dia 1° de janeiro deste ano, sete crianças foram mortas pelos próprios pais na França, país onde a violência contra os menores é "o tabu dos tabus", classifica o diário, que estampa o assunto em sua capa.

Negação coletiva

Segundo o jornal, há uma negação coletiva na sociedade francesa em relação às violências contra as crianças. Por isso, até hoje, não há estudos ou dados concretos e confiáveis sobre a questão. Esse, aliás, será o primeiro desafio do plano apresentado pelo governo: organizar uma coleta nacional de informações sobre violências nas famílias. Por enquanto, apenas o número de crianças mortas por ano pelos pais ou responsáveis é contabilizado. Em 2015, segundo os dados oficiais, foram 36 menores de idade mortos em seus próprios lares por violência. Em 2016, esse número subiu para 73 crianças, que perderam a vida em casos de violências em suas próprias famílias.

O Aujourd'hui en France lista alguns dos episódios que mais chocaram o país: Tony, um menino de 3 anos morto por sucessivos espancamentos em Reims, no nordeste da França; David, de 8 anos, morto por afogamento, encontrado pela polícia com os pés e mãos amarrados em um banheira na cidade de Saint-Herblain, no nordeste do país; Oumar, de 15 anos, agredido até a morte com um cinto de couro em Vitry, na região parisiense; Yanis, de 5 anos, morto de frio e cansaço em Aire-sur-la-Lys, no norte da França, depois de ser obrigado pelos pais a correr vários quilômetros durante a noite, em pleno inverno, semi nu, punido por ter feito xixi na cama.

Se, graças a esse plano, médicos, professores, assistentes sociais e a justiça forem sensibilizados e formados para que dramas como esses não voltem a contecer, cidadãos também têm o dever de vigilância, considera o Aujourd'hui en France. Porque, de acordo com o diário, na maioria dos casos, a vizinhança das famílias está a par das violências vividas pelas crianças, mas não ajudam a protegê-las, temendo se intrometer na vida e na educação alheia.

Cacofonia do sistema

Outra "cacofonia do sistema", sublinha Libération, são as mortes de recém-nascidos classificadas como "acidentais". A média aponta que 255 bebês de menos de um ano morrem por ano no país. Segundo dados extraoficiais, três quartos desses recém-nascidos seriam vítimas de atos violentos, como espancamento, asfixia, afogamento ou abandono. Devido à não obrigatoriedade de exames médico-legais em bebês cuja causa da morte é desconhecida, muitos casos passam despercebidos, denuncia Libération.

No total, hoje, 23 medidas do governo serão apresentadas para lutar contra as violências às crianças na França. O principal objetivo, sublinha Libé, deve ser "diminuir a tolerância social face ao que alguns menores de idade são submetidos". Como lembra a ministra francesa das Famílias, da Infância e dos Direitos das Mulheres, Laurence Rossignol, em entrevista ao diário, "é a repetição que explica a invisibilidade dessas violências".

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