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Mulher

Greve inédita por igualdade salarial marca o Dia Internacional da Mulher

Uma grande manifestação para exigir igualdade de salários entre homens e mulheres contará com a participação de 38 entidades em Paris.
Uma grande manifestação para exigir igualdade de salários entre homens e mulheres contará com a participação de 38 entidades em Paris. CNDF

Uma greve inédita na França para denunciar as disparidades salariais entre homens e mulheres no mercado de trabalho marca o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março. O assunto é destaque nos principais jornais do país.

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Segundo o jornal de esquerda Libération, a França nunca viu uma mobilização semelhante, unindo 38 associações feministas, sindicatos, ONGs e coletivos de jovens. Eles pedem que as mulheres   e os homens que defendem a causa delas   cruzem os braços às 15h40. O horário faz referência ao momento exato do dia em que as mulheres deixam de ser pagas, levando em consideração um dia normal de trabalho. Segundo dados revelados pela agência Eurostat, e denunciados pelas associações feministas, na França as mulheres ganham 26% a menos do que os homens.

Outros dados revelados pelo Libération indicam que 80% dos empregos em tempo parcial são de mulheres. Elas executam mais as tarefas menos valorizadas do mercado de trabalho. O trajeto da manifestação em Paris prevê passagem pelas grandes lojas de departamentos, nas quais há forte presença de mão de obra feminina.

A greve visa combater a disparidade salarial e também reforçar a luta para maior acesso a direitos sociais e à saúde. "A mobilização é importante dentro de um contexto reacionário na França e de regressão em nível internacional", afirma Caroline Rebhi, uma das presidentes do coletivo Planejamento Familiar.

O jornal Le Monde destaca uma outra declaração de Suzy Rojtman, porta-voz do Coletivo Nacional pelos Direitos das Mulheres. Ela afirma que as mulheres querem voltar a fazer do 8 de março um dia de reivindicações, como originalmente, e a igualdade de salários e de carreiras é a principal luta. O movimento afirma que, na França, 60% das empresas não têm um acordo ou qualquer plano de ação para atingir a igualdade salarial de homens e mulheres.

O jornal francês lembra que a primeira lei sobre a igualdade profissional data de 1983. Porém, as primeiras punições financeiras só foram pronunciadas 30 anos depois, em 2013, contra 109 empresas. Cerca de 90% das grandes empresas do país, com mais de 1.000 empregados, têm um acordo em defesa da igualdade entre homens e mulheres, mas esse número cai para 67% em empresas de 300 a 999 funcionários e despenca para 35% quando o número de assalariados fica entre 50 e 299.

Disparidade persistente

Le Monde lista uma série de motivos que explicam a disparidade persistente na remuneração entre os dois sexos: as mulheres sofrem mais as consequências das ausências no trabalho devido à maternidade; elas ainda são as principais responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas, o que compromete um maior investimento na profissão; fazem menos horas extras; ocupam cargos menos qualificados e menos valorizados, como os serviços de limpeza, exemplifica Le Monde.

As militantes irão apresentar ao governo 20 exigências que vão de sanções contra empresas, passando pela valorização de trabalhos feitos pelas mulheres até a padronização dos salários com os dos homens.

O que é inédito nesta mobilização, destaca Le Monde, é que houve uma junção de movimentos feministas tradicionais com os que são ativos pela internet. Para as principais responsáveis desta jornada, há muitos meios de lutar pela causa das mulheres, incluindo postar mensagens nas redes sociais para viralizar. Outra preocupação é insistir que o dia internacional é das mulheres e não apenas da mulher.

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