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Refugiados na França: 70% de mulheres e crianças sofrem violência sexual

Refugiadas e filhos em tenda do ex-acampamento conhecido como "Selva" em Calais, no norte da França.
Refugiadas e filhos em tenda do ex-acampamento conhecido como "Selva" em Calais, no norte da França. GSF - Mission Camps de Réfugiés du Nord de la France : CAMINOR

Cerca de 70% das mulheres migrantes presentes em campos de refugiados do norte da França sofreram violência sexual, afirmou nesta quarta-feira (8) a ONG Ginecologia Sem Fronteiras (GSF), que fez um apelo “de emergência” para a abertura de novos postos de acolhimento no país. As crianças também fazem parte do mesmo grupo de vulnerabilidade social e entram na estatística.

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"A violência é onipresente em todos os campos de refugiados do mundo" e "os mais vulneráveis ao risco de violência sexual são mulheres e crianças", disse a organização Ginecologia Sem Fronteiras (GSF) que trabalha em campos de migrantes do norte França desde novembro de 2015, especialmente em Grande-Synthe (no norte do país).

"De acordo com nossas observações de campo, 70% das mulheres foram vítimas de violência", afirmou Richard Matis, Vice-Presidente da GSF, por ocasião do dia internacional da luta pelos direitos das mulheres. "A prostituição imposta, o estupro e a violência doméstica são parte da jornada das vítimas", denunciou. “Muitas das mulheres e crianças são forçadas a vender seus corpos para pagar os contrabandistas", disse a associação em um comunicado.

Cada desmantelamento dos acampamentos de refugiados aumenta o seu isolamento e vulnerabilidade e provoca "um ressurgimento da violência sexual e pedidos de aborto", acrescentou a associação, quatro meses após o desmantelamento da "selva" de Calais.

Além do "sofrimento físico e psicológico grave" das mulheres e crianças migrantes, ocorrem também nestes casos as "múltiplas complicações associadas como stress pós-traumático, sofrimento físico e moral, gravidezes indesejadas, abortos, infecções", declarou a ONG. “Prestar queixa na polícia se torna uma verdadeira corrida de obstáculos", afirma o comunicado.

Por um lado, as vítimas sofrem "pressão dos traficantes ou pessoas da comunidade nos campos", e por outro "tudo parece feito para travar a apresentação de uma queixa na polícia, com inúmeras idas e voltas inúteis entre a polícia e as unidades forenses ", sinaliza o documento da GSF.

A organização alerta para o que ela chama de "estado de emergência" da necessidade de construção de novos abrigos para mulheres e crianças refugiadas na França.

Em especial, o centro Jules Ferry, em Calais, com seus 400 lugares destinados a mulheres e crianças, que havia sido fechado na sequência do desmantelamento da "selva", em outubro de 2016, "deve ser reaberto", finaliza o comunicado.
 

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