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Dieselgate: Renault teria fraudado testes antipoluição durante 25 anos

Carlos Ghosn, presidente da Renault, estaria diretamente envolvido no escândalo conhecido como "Dieselgate".
Carlos Ghosn, presidente da Renault, estaria diretamente envolvido no escândalo conhecido como "Dieselgate". REUTERS/Denis Balibouse

O grupo automotivo francês Renault utilizou durante 25 anos "estratégias fraudulentas" para falsificar os testes de poluição de alguns dos seus motores, e sua direção, representada pelo presidente do grupo, o franco-líbano-brasileiro Carlos Ghosn, estaria diretamente envolvida no esquema, segundo afirmou a agência francesa antifraudes em um relatório nesta quarta-feira (15).  

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Segundo o documento, o próprio presidente da Renault, Carlos Ghosn, estaria envolvido no "Dieselgate" francês, expressão criada para designar as fraudes durante os testes de homologação de emissão de gases que poluem o meio ambiente. O escândalo envolveu o uso de um software para manipular dados de emissões destes poluentes.

A Volkswagen, acusada do mesmo tipo de delito, declarou em fevereiro deste ano, num acordo com a Justiça, que pagará uma indenização de mais de US$ 1,2 bilhão aos clientes que compraram carros com motores adulterados. A empresa de autopeças alemã Bosch, envolvida no mesmo escândalo, anunciou que pagará US$ 327,5 milhões para indenizar clientes e concessionárias.

Segundo a agência francesa antifraudes, "não foi estabelecida nenhuma delegação de poder" por Ghosn neste caso, o que atribui ao presidente da Renault a "responsabilidade" na suposta fraude. O grupo desmentiu formalmente as acusações da agência. "A Renault não comete fraudes (...) Todos os veículos foram homologados de acordo com a regulamentação em vigor", afirmou afirmou o vice-presidente da companhia, Thierry Bolloré.

Um escândalo europeu

A ministra francesa do Meio Ambiente, Ségolène Royal, ordenou a formação de uma comissão de investigação encarregada de descobrir se outras montadoras teriam fraudado testes de poluentes, logo após o escândalo da Volkswagen.

A agência antifraudes, ligada ao ministério de Economia, suspeita que o fabricante francês criou, assim como a Volkswagen, um software "cujo objetivo era falsificar os resultados" dos testes antipoluentes de seus veículos. A análise da agência se concentra nos modelos recentes da Renault, a partir do testemunho de um ex-funcionário. Segundo o ministério, algumas práticas remontam a 1990.

"Vários veículos foram equipados com dispositivos de detenção" que permitiam ao automóvel detectar se estava superando os limites dos testes de verificação. Se necessário, o software adaptava o funcionamento do motor para que emitisse menos poluentes, segundo um ex-técnico, que abandonou o grupo em 1997.

Modelos antigidos

A primeira geração de Clio, comercializada em 1990, com motores de gasolina, já usava este programa, segundo a declaração do ex-funcionário. A investigação da agência antifraudes se concentrou sobretudo nos motores a diesel Euro 5 e Euro 6, homologados desde setembro de 2009. Após as revelações, as ações da Renault na Bolsa de Paris fecharam com perda de 3,67%, em um mercado quase estável.

"Esses resultados fazem suspeitar que se instalou um dispositivo fraudulento que modifica especificamente o funcionamento do motor para reduzir as emissões de NOx [óxidos de nitrogênio] em condições específicas durante o teste de homologação, para que as emissões respeitem os limites regulamentares", conclui a agência.

Segundo Frédérik-Karel Canoy, advogado de acusação no caso Renault, "esses fatos graves pedem uma resposta judicial que, segundo o código penal, prevê uma compensação integral". "Pedimos o reembolso do veículo envolvido a preço de compra, considerando também o prejuízo moral e os gastos com o processo". Por sua vez, a associação de consumidores francesa UFC-Que Choisir denunciou a "negligência das autoridades durante décadas sobre as normas e o controle dos fabricantes de veículos", declarou seu responsável jurídico, Nicolas Godfroy.

O jornal Le Monde afirmou nesta quinta-feira (16) que “falta achar um responsável” e que a agência francesa antifraudes aponta apenas um culpado – Carlos Ghosn, presidente da Renault. “A decisão de comercializar os veículos após ter fabricado os motores utilizando estratégias fraudulentas veio da instância que toma decisões estratégicas no grupo Renault”, publica o jornal, que completa: “caso condenada, a Renault deverá pagar cerca de € 3,5 bilhões de multa”.

 

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