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França

Franceses rejeitam mais os ciganos do que os muçulmanos

Os ciganos que vivem na França são originários da Romênia e da Bulgária e têm passaporte europeu.
Os ciganos que vivem na França são originários da Romênia e da Bulgária e têm passaporte europeu. REUTERS/Robert Pratta

Os franceses são mais tolerantes à diversidade do que se pensa: essa é a conclusão de um relatório divulgado nesta quinta-feira (30) pela Comissão francesa sobre os Direitos Humanos (CNCDH), que avalia todos os anos o estado do racismo, o antissemitismo e a xenofobia na França. De acordo com o documento, ao contrário do que se imagina, o maior preconceito da população não é contra os muçulmanos, mas contra os ciganos que vivem no país.

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Apesar dos atentados e da crise dos migrantes, o índice de tolerância à diversidade medido pela organização registrou, pelo terceiro ano consecutivo, um aumento na França. De acordo com o CNCDH, o número de atos racistas e antissemitas diminuiu 44,69% em 2016, "apesar de um contexto que propicia a rejeição ao outro". Já ações contra os muçulmanos diminuíram 57,6%, uma baixa, segundo a organização, que acontece "devido aos dispositivos de proteção colocados em prática pelas autoridades francesas dentro do estado de emergência adotado após os atentados".

Sobre os símbolos religiosos, a rejeição ao véu islâmico, utilizado por algumas mulheres muçulmanas, também diminuiu 22 pontos nos últimos três anos. Atualmente, 58% dos franceses acreditam que o uso do acessório "pode causar um problema para a vida em sociedade". Já em relação ao burquíni, a rejeição é de 59%. A percepção dos muçulmanos como um grupo isolado na sociedade é de 38%, mas 80% das pessoas ouvidas pela pesquisa do CNCDH acreditam que os seguidores do Islã "são franceses como os outros".

Ciganos são o maior alvo do preconceito

O maior índice de rejeição, no entanto, não é contra os muçulmanos, mas ciganos originários da Romênia e da Bulgária, que têm passaporte europeu, e que, na França, vivem em grandes acampamentos. Entre os entrevistados, 54% pensam que eles não querem se integrar à sociedade. Mas a percentagem diminuiu nos últimos anos: em 2014, 77% das pessoas ouvidas compartilhavam desta opinião. Segundo o CNCDH, "fala-se menos dos ciganos de uma forma negativa nos últimos anos".

A instituição ressalta, no entanto, que os preconceitos e as atitudes racistas estão longe de desaparecer da sociedade francesa: 53% dos franceses ainda acham que há muitos imigrantes na França e 57% acreditam que os imigrantes vêm à França para tentar aproveitar a proteção social do Estado.

Além disso, quase metade dos entrevistados reconheceu ainda ter dificuldades em aceitar algum tipo de diversidade. Para a organização, o problema se resolve com educação, "desde que as crianças entram na escola" e com a imposição "que as autoridades condenem de uma forma igualitária o antissemitismo, a islamofobia, o sexismo e a homofobia".

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