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Implosão do Partido Socialista é destaque na imprensa francesa

O ex-primeiro-ministro Manuel Valls (esquerda) apoia candidatura de Emmanuel Macron à presidência de França.
O ex-primeiro-ministro Manuel Valls (esquerda) apoia candidatura de Emmanuel Macron à presidência de França. REUTERS/Thibault Camus/Pool/File Photo

A capa dos principais jornais franceses desta quinta-feira (30) traz o racha do tradicional partido de esquerda da França: o Partido Socialista (PS). O destaque polêmico é o apoio concedido pelo ex-primeiro-ministro Manuel Valls, do PS, ao candidato centrista, Emmanuel Macron, que se lançou na corrida presidencial como candidato independente, à frente do Movimento Em Marcha.

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Durante as primárias do PS, na França, os pré-candidatos assinam um documento afirmando que apoiarão o nome vencedor da disputa interna durante o pleito presidencial. Valls assinou o documento e, tendo perdido as primárias para Benoît Hamon, se recusa agora a apoiar o candidato vencedor, um escândalo para boa parte dos franceses.

Valls se alia a Macron e mergulha o PS no caos”, diz a manchete do jornal Le Figaro desta quinta-feira (30). “A escolha do ex-primeiro ministro provocou uma onda de indignação entre os partidários de Benoît Hamon, que convidou Jean-Luc Mélenchon [também de esquerda, do movimento França Insubmissa] a apoiá-lo”, publica o Figaro, que afirma que o clima é de “guerra total” dentro do Partido Socialista.

“As facas foram afiadas e balas fazem barulho dentro do partido. As hostilidades chegaram a um nível em que o primeiro-secretário do PS, Jean-Christophe Cambadélis, foi obrigado a pedir calma e respeito aos princípios e à coerência na manhã da ontem”, relata o jornal. “Mas o primeiro-secretário, solenemente vaiado durante o grande comício de Benoît Hamon em Paris, não parece estar em posição de acalmar as tensões”, analisa o Figaro, que completa: “Mesmo tendo se declarado triste pela escolha de Valls, Cambadélis não chegou a condenar formalmente sua escola”, conclui o jornal.

Reações dentro do partido

Le Figaro publica também as reações de grande nomes do Partido Socialista ao apoio de Manuel Valls ao candidato centrista. "Um homem sem honra", denunciou Arnaud Montebourg, ex-Ministro da economia de François Hollande e um dos líderes do PS. "Um crime premeditado", analisa François Kalfon, outra liderança do PS, ao lado da deputada Karine Berger, que denuncia no jornal um "comportamento medíocre".

"Não sei como ele consegue se olhar no espelho", declarou ao Figaro a senadora de Paris, Marie-Noelle Lienemann, para quem a decisão de Valls se destina a "fazer fracassar a esquerda para conseguir recuperar um pedaço do poder". No meio da guerra do PS, Le Figaro aponta para a necessidade de se construir um "novo partido, com uma nova formação". Para o cotidiano, enquanto os aliados do candidato Benoît Hamon tentam convencê-lo que esra guerra pode se tornar uma oportunidade, "a família socialista implode sob seus olhos".

Para o jornal Aujourd'hui en France, que também traz a polêmica na capa, "o apoio de Valls ao candidato centrista não revela apenas as falhas do sistema de primárias do PS, mas precipita os socialistas dentro de uma crise fatricida e ideológica sem precendentes". "O adeus ao PS", continua o diário, afirmando que "o divórcio está consumado, a separação foi feita". "Ao desprezar as regras das primárias, Manuel Valls joga o partido numa guerra inédita e começa a levantar um muro entre o que ele chamou de 'duas esquerdas irreconciliáveis'. A decisão foi tomada sem nem ao menos consultar o candidato oficial", critica Aujourd'hui en France.

Sociedade francesa pede aos dirigentes socialistas que respeitem o resultado das primárias

O jornal Le Monde publicou em sua edição desta quinta-feira (30) uma carta assinada por intelectuais, artistas, jornalistas, militantes, professores e advogados de peso que afirma que "o desprezo dos dirigentes socialistas ao voto cidadão [durante as primárias do partido] é intolerável". 

"Os eleitores escolheram por uma larga margem de votos - cerca de 59% - o nome de Benoît Hamon porque eles esperam uma esquerda verde, uma esquerda da empatia e da tolerância, uma esquerda feminista (...). Em resumo, uma esquerda da modernidade e da mudança. E na noite desta escolha, eles acreditaram por um momento que o ego e outros cálculos seriam apagados frente à esquerda democrática de um povo", afirma um trecho do documento publicado pelo vespertino.

"Apoiar Benoît Hamoné, antes de tudo, respeitar os eleitores e o sentido da democracia. É isso que chamamos de lealdade. E a lealdade, em política, é o último baluarte contra o populismo", finaliza a carta, que é assinada por nomes como o economista Thomas Piketty, os atores Philippe Torreton e Denis Podalydès, a cantora Emily Loizeau, a escritora Marie Desplechin, o filósofo Roberto Casati e a atriz Valérie Donzelli.

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