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Jovens de Paris e de comunidade de São Paulo se unem em concertos clássicos

Maestro Bruno Mantovani, diretor do Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris
Maestro Bruno Mantovani, diretor do Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris DR

Neste mês de abril, estudantes do Conservatório de Paris serão recebidos em São Paulo pela Orquestra Jovem do Estado para concertos e master classes na prestigiosa Sala São Paulo e na comunidade de Guaianases. Em entrevista à RFI Brasil, o maestro francês Bruno Mantovani, diretor do Conservatório, fala sobre este belo projeto.

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Fruto de uma parceria internacional entre o Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris e da Santa Marcelina Cultura, a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo recebe neste mês de abril o maestro Bruno Mantovani, que dirige o conservatório, e a harpista Isabelle Moretti, acompanhados por um grupo de 30 jovens alunos franceses.

A ideia é integrar os dois universos em apresentações na prestigiosa Sala São Paulo e no CEU - Centro Educacional Unificado Inácio Monteiro - na comunidade de Guaianases.

"A música clássica pode ser um fator de combate, de novas perspectivas sociais"

O maestro Bruno Mantovani tem várias expectativas em relação a essa viagem: "Em primeiro lugar, é sempre muito interessante trocar experiências com pessoas que estudaram de um modo diferente. A relação dos brasileiros com a música clássica é muito diferente da dos franceses; os brasileiros já têm uma música popular muito rica, muito envolvente e extremamente presente no seu cotidiano, muito mais do que os franceses. Então, há sempre esse aspecto da música popular e da música clássica que se encontram", ele diz, observando que para os músicos franceses, formados da forma mais tradicional possível, haverá sempre algo de interessante a trocar, e ele espera que o mesmo aconteça com os brasileiros.

Mantovani ressalta que muitos alunos da EMESP, a Escola de Música do Governo do Estado de São Paulo, integram um programa musicossocial que se chama GURI, que tenta ajudar as crianças com dificuldades financeiras a estudar a música de bom nível. "Eu também quero que nossos alunos franceses tomem consciência deste aspecto do ensino brasileiro, ou seja, compreender que a música clássica também pode ser um fator de combate social, de novas perspectivas sociais. Resumindo, esta foi a razão pela qual decidimos criar com nossos amigos da EMESP esse projeto, especialmente com seu diretor, Paulo Zuben", ressalta.

Repertório tem Ravel e Debussy

O encontro entre os dois grupos promete ser enriquecedor. Do lado francês serão 30 alunos, entre 20 e 28 anos. Do lado brasileiro, 90 bolsistas entre 13 e 25. Durante os dois concertos, que serão regidos por Bruno Mantovani, mais de 100 músicos estarão no palco tocando instrumentos como violino, viola, violoncelo, flauta, clarinete, oboé, fagote, trompete, saxofone, percussão, além da harpa celestial de Isabelle Moretti.

O programa, centrado no século XX, será aberto e encerrado por composições de Maurice Ravel, como Mamãe Gansa e o mundialmente conhecido Bolero. Em seguida, serão interpretadas as Danças Sagradas e Profanas, de Claude Debussy, e O Príncipe de Madeira, do húngaro Béla Bartók.

"Teremos também dois concertos de música de câmara, em que os alunos franceses e brasileiros tocarão juntos em pequenas formações, com repertórios variados que irão de Francis Poulenc a Edgar Varèse, inclusive sua peça Octandre, que eu dirigirei, regendo as duas escolas", diz Mantovani.

"Quero fazer o mesmo concerto em sala rica e em bairro pobre"

Esta não é a primeira vez que o diretor do conservatório parisiense vai de encontro às comunidades. "Há quatro anos visitei a comunidade de Guaianases, e fiquei muito impressionado com a energia destes jovens destes lugares desfavorecidos, de sua vontade de vencer na vida, de sua alegria de viver em condições tão difíceis, eu fiquei realmente muito tocado. Foi por isto que pedi aos meus amigos de São Paulo para vir à comunidade, eu quis fazer o mesmo concerto da Sala São Paulo, que é rica, em um bairro pobre", observa o maestro.

Certamente, os estudantes franceses voltarão transformados desta experiência, pensa Bruno Mantovani: "Não voltamos do Brasil do mesmo jeito que partimos. Em geral, quando voltamos do Brasil nós mudamos. Não tenho dúvidas de que quando os alunos voltarem a Paris verão, primeiramente, seu modo de trabalhar de uma forma mais aberta; e é preciso reconhecer que temos muita sorte na França de estudar com um conforto material que nem sempre basta para ser totalmente feliz. Então, estou muito otimista sobre as trocas que vão acontecer", conclui.

Calendário dos concertos e atividades em São Paulo:

3 a 9 de abril - Master classes com o maestro Bruno Mantovani e a harpista Isabelle Moretti na sede da EMESP Tom Jobim, na Estação da Luz

6 e 7 de abril, às 14h - Alunos do Conservatório de Paris e a EMESP se apresentam em unidades do CEU. No dia 6, no CEU Cidade Dutra, no sul da capital, e no dia 7 no CEU Perus, na zona leste

8 de abril, 16h - Orquestra Jovem do Estado regida por Bruno Mantovani, tendo como solita Isabelle Moretti na harpa. No CEU Inácio Monteiro

9 de abril, 16h - Alunos do Conservatório de Paris e da EMESP em concerto na Sala São Paulo

Veja o Flashmob realizado na Pinacoteca do Estado em 2013 com os músicos franceses e os alunos do Guri e da EMESP Tom Tobim, que teve mais de 2 milhões de visualizações

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