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França/eleições

Violência durante a campanha revela descontentamento com política francesa

O candidato da direita François Fillon depois de levar farinha em um comício em Estrasburgo
O candidato da direita François Fillon depois de levar farinha em um comício em Estrasburgo Julien SENGEL / AFP

A eleição presidencial francesa vem sendo marcada por uma série de incidentes inéditos entre eleitores e candidatos e agressões a jornalistas. Uma das razões seria a falta de identificação do eleitorado com os candidatos e a estrutura partidária, segundo analistas. O "partido da abstenção", lembra a imprensa francesa, aparece como o grande favorito ao primeiro e segundo turno.

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Alguma coisa está seriamente fora da ordem na sociedade francesa e as eleições parecem ser o reflexo desse mal-estar geral que ganha uma medida concreta nas pesquisas eleitorais: entre 30 e 40% dos franceses simplesmente não pretendem votar no dia 23 de abril, data do primeiro turno, sem contar os indecisos.

Esse dado torna as eleições imprevisíveis, com uma única certeza aparente (mas que pode também mudar): a candidata do partido de extrema-direita, Marine Le Pen, deve ir para o segundo turno. Em segundo lugar está Emmanuel Macron, do movimento independente “Em Marcha”, um “outsider” que não pertence a nenhum grupo tradicional da cena política francesa.

Fenômeno inédito também envolve classe média

Esse cenário incerto parece ser um terreno favorável para as agressões como as registradas nas últimas semanas visando, principalmente, os candidatos de direita. No dia 26 de fevereiro, por exemplo, em Nantes, no sul da França, um ônibus de militantes do partido Frente Nacional, de Le Pen, foi bloqueado na estrada e “bombardeado” de tinta por grupos anti-FN que participavam de uma manifestação em protesto à vinda da líder direitista à cidade. O incidente acabou em tumulto com a polícia.

Esses grupos, segundo o antropólogo Stefano Dorigo, da Universidade Paris 8, são uma mistura de ideologias heterogêneas libertárias, formados principalmente por estudantes, representantes de uma geração que não se identifica com o poder. “É o laboratório de uma crítica radical do dispositivo estrutural usado na eleição presidencial”, disse, em entrevista ao jornal “La Croix”. Não só. Representantes da classe média também participaram dos protestos.

"Estamos diante de um fenômeno inédito. Diante da crise partidária, os abstencionistas se tornaram o partido número 1 da França. Como não se sentem representados, a violência se tornou o único meio para eles se expressarem”, conclui. Em abril, o alvo foi o candidato do partido “Os Republicanos”, François Fillon, indiciado na Justiça por atribuir à mulher e filhos supostos empregos-fantasma no Parlamento. Na semana passada, quando se preparava para discursar em um comício em Estrasburgo, na Alsácia, um jovem invadiu o palco e esvaziou um pacote de farinha na cabeça do candidato.

Ataques a jornalistas

Os jornalistas que cobrem a campanha também têm sido alvo de violência. Um dos fatos mais marcantes ocorreu no último domingo durante um comício de Fillon. Dois repórteres foram expulsos por dois seguranças e tiveram seus equipamentos quebrados, como mostra um vídeo que circulou pela Internet.

Ambos prestaram queixa. Um deles, Louis Morin, do Canal +, emissora de grande audiência na França, disse que os insultos contra a imprensa nos comícios do candidato são comuns, “mas não a esse ponto”.
Jornalistas de três jornais e sites de grande circulação no país (Le Canard Enchainé, Mediapart e Journal du Dimanche), que revelaram o esquema de supostos empregos-fantasma implantados por Fillon, também estão sendo alvo de ameaças de morte.

Eles receberam cartas com balas de revólver. No caso de Laurent Valdiguié, do Journal du Dimanche, o autor da ameaça chegou a desenhar as iniciais do repórter em cima de um caixão com uma caveira. Um inquérito já foi aberto pela Justiça francesa para investigar o caso.
 

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