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França vive divisão profunda simbolizada por Macron e Marine Le Pen

Os eleitores de Marine Le Pen e Emmanuel Macron espelham duas Franças opostas
Os eleitores de Marine Le Pen e Emmanuel Macron espelham duas Franças opostas REUTERS/Eric Gaillard

O primeiro turno da presidencial francesa elegeu dois candidatos que têm em comum apenas a reivindicação de encarnar a ruptura com o "sistema". Mas o jovem Emmanuel Macron, pró-europeu e de centro (23,8% de votos), e Marine Le Pen, da extrema-direita (21,4%), representam bem mais do que isso, através da oposição que caracteriza o seu eleitorado e impacta na estrutura geopolítica do país.

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O mapa dos resultados reflete a divisão da França descrita por geógrafos e sociólogos: uma França das metrópoles, vitrine da globalização bem sucedida, e a outra das áreas periféricas, pequenas e médias cidades, áreas rurais distantes dos empregos mais dinâmicos, abandonadas pelos serviços públicos.

As regiões marcadas pela desindustrialização, desemprego e o medo, que contribuíram para o sucesso de Marine Le Pen, da Frente Nacional, registraram 31% de votos no Norte e 27,8% no Leste - tanto ou mais do que no sudeste, o reduto tradicional do partido (28%) sensível ao seu discurso anti-imigração.

Em compensação, em algumas grandes cidades seus números são medíocres (5% em Paris, 8% em Lyon), exceto em Marselha (23%), locais em que Emmanuel Macron, do movimento Em Marcha!, teve seus melhores desempenhos (34,8% em Paris, 30% em Lyon).

Uma França que vai bem, uma França que vai mal

"Estamos penetrando num território desconhecido onde tudo pode acontecer"

O escritor e jornalista francês Gilles Lapouge analisa que agora o país tem claramente dois campos: "De um lado, temos as pessoas cultas, que estão fazendo ou que fizeram faculdade, que têm dinheiro, gente da cidade. Do outro lado estão os coitados, que estão com Marine Le Pen, que são pessoas do campo, outros esquecidos há anos e anos pelo governo central, que não têm mais dinheiro", diz Lapouge. "Estamos penetrando num território desconhecido onde tudo pode acontecer", ele constata.

Para ele, a consequência dessas duas direções é que de um lado tem a França que gosta da União Europeia; este é o lado do Macron, que tem um eleitorado mais preparado, mais moderno, e mais rico também.

Já do lado da Marine Le Pen, tem os pobres, tem a gente do campo, que têm horror à Europa. De fato, a Europa não beneficiou o mundo rural, a agricultura francesa foi totalmente afetada pelas decisões absolutamente 'loucas', muito irreais, abstratas, da Comissão Europeia", observa o jornalista, confirmando a noção da existência de "uma França que vai bem, e uma França que vai mal, a dos pobres".

Além da fratura social, a França também vive uma fratura geográfica. "Duas Franças que nunca pareceram tão distantes uma da outra, se encaram", escreve o jornal Le Monde na edição especial sobre a eleição.

Para Gilles Lapouge, se Emmanuel Macron for eleito presidente, como projetam as pesquisas, seu grande desafio será a forma de liderar com essa camada da população, pobre, esquecida e revoltada, que rejeita o bloco europeu e reclama por medidas que a proteja.

 

 

 

 

 

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