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A Semana na Imprensa

Revista revela alívio de François Hollande com fim do mandato

Áudio 02:52
François Hollande durante uma de últimas recepções como presidente no Palácio do Eliseu
François Hollande durante uma de últimas recepções como presidente no Palácio do Eliseu Reprodução / L'Obs

A revista L’Obs desta semana traz uma longa reportagem sobre os últimos dias do mandato de François Hollande, que deixa a presidência francesa em breve. O texto mostra que o chefe de Estado, um dos mais impopulares da história do país, parece estar aliviado ao deixar o cargo.

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“Não sinto nenhuma melancolia diante da ideia de deixar esta casa, na qual sou apenas um inquilino provisório”, disse Hollande. “Se fosse reeleito, seriam mais cinco anos de intranquilidade permanente, sendo privado de vida pessoal e liberdade. Ficar aqui (nesse cargo) é um dom total de si, como um sacerdócio”, explicou o chefe de Estado, lembrando que em razão da ameaça terrorista, desde os atentados ele vive dia e noite no palácio do Eliseu, sede da presidência.

Ao ser lembrado que há prisões bem mais difíceis do que um palácio cercado por jardins bem cuidados e sendo servido por um chef premiado (Guillaume Gomez), Hollande concorda, mas pondera: “É bem mais agradável viver com seus móveis, seus livros, seus discos e dentro de seu próprio apartamento”.

O jornalista explica que a sede da presidência se esvaziou, principalmente desde dezembro, quando Hollande anunciou que não iria tentar se reeleger. Os únicos que restam são os menos de dez colaboradores mais fiéis, que já abandonaram as gravatas, comenta o texto. De acordo com a reportagem, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, o palácio do Eliseu mais parece “um museu em dia de folga”, com guardas entediados na porta, se questionando sobre quem terão que proteger em breve.

"Fui impopular, mas não fui detestado"

A revista entrevista um dos responsáveis da comunicação de Hollande, o jovem Gaspard Gantzer. Segundo ele, o presidente se preservou no começo do mandato, e somente há pouco tempo começou a agir de forma natural, “como o homem que os franceses elegeram”.

Mas o chefe de Estado pondera as declarações de seu colaborador. “Eu reconheço que fui um presidente muito impopular, mas não fui detestado. (François) Mitterrand chegou a ser impopular e detestado, (Nicolas) Sarkozy chegou a ser popular e detestado. Eu me tornei impopular rapidamente, o que me afetou muito, ao contrário do que possam pensar. Mas isso não me impediu de governar”, comentou, o chefe de Estado. Segundo ele, o momento em que sentiu mais hostilidade foi durante o debate sobre o casamento gay. “Mas hoje, já estou a dois dedos de ser apreciado”, brinca o presidente.

Obama seria entediante longe das câmeras

Conhecido por suas piadas, Hollande reconhece que o humor é, para ele, uma forma suprema de elegância. E continua lembrando que seus antecessores Mitterrand e Jacques Chirac eram bem-humorados, mas que Sarkozy não é dotado desta característica. Antes de alfinetar o ex-presidente norte-americano Barack Obama, que seria engraçado em público, mas nem um pouco longe das câmeras. “Ele é um charme, mas muito entediante”, comenta.

Questionado sobre o futuro, Hollande recusou dar informações sobre sua carreira quando deixar o poder. A única coisa confirmada é que ele terá um escritório – benefício oferecido pelo Estado aos ex-presidentes – e pretende escrever um livro e criar uma fundação dedicada à inovação social. No entanto, o chefe de Estado já avisou que não pretende exercer uma atividade no setor privado ou seguir carreira na política europeia.

Mas o chefe de Estado prefere não descartar nenhuma hipótese e lembra que, ao contrário de Chirac e Mitterrand, deixa o cargo ainda jovem, e que não pretende fazer como Sarkozy, que prometeu que ia se retirar da vida política e acabou voltando, em 2012 e 2016. “Não renuncio a nada. Não é o fim da minha vida, e sim o início de uma nova”, diz Hollande nas páginas da revista L’Obs.

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