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A Semana na Imprensa

Macron: o presidente francês que tem "um algo mais"

Áudio 01:38
Destaque na imprensa francesa para a fascinante trajetória do novo presidnete francês Macron.
Destaque na imprensa francesa para a fascinante trajetória do novo presidnete francês Macron. Reprodução

A saga de Emmanuel Macron, 39 anos, o mais jovem presidente do período republicano na França, desde seu nascimento na cidade de Amiens (noroeste) até a vitória de 7 de maio de 2017, em Paris, é esmiuçada pelas revistas semanais francesas. Edições especias chegaram às bancas desde o dia seguinte à eleição. A imprensa está fascinada pela trajetória do novo chefe de Estado.

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A imagem de Macron, com expressão de "querubim", como notam algumas publicações, ilustra as capas de Le Point, L’Express, L’Obs e Paris Match, entre outras revistas. Políticos de todos os horizontes, colaboradores, amigos e familiares descrevem um homem carismático, descomplexado, otimista, dono de uma inteligência acima da média, que seu pai identificou cedo na infância e definiu como uma "esponja".

Com certeza Macron tem "um algo mais", observa Le Point, acrescentando que esse "mais" é a simpatia e o poder de sedução, apontados pela maioria das pessoas ouvidas nas reportagens.

A concorrente L’Obs sublinha o alto grau de empatia de Macron, "capaz de ouvir e se colocar na posição do outro", o que faz dele um hábil negociador. "Ele é empático à décima potência, consegue seduzir até uma cadeira", diz um ex-colaborador de ministério que participou de negociações entre Macron e líderes sindicais.

Macron cresceu adubado pela hostilidade

A ousadia com a qual ele desviou de todos os obstáculos de um sistema partidário em fase de decomposição para chegar ao Palácio do Eliseu provoca uma franca admiração nos jornalistas. "A vitória de Macron sem nenhum erro desabonador é uma excelente notícia para todos os republicanos da França e do exterior. Talvez não funcione nos próximos cinco anos, mas por ora vamos saborear esse prazer", escreve a revista L’Obs nas primeiras linhas de seu editorial.

Ao mesmo tempo em que o novo presidente é um produto típico da mais tradicional elite política francesa, o homem é atípico. E muito do que surpreende em Macron parece estar intimamente ligado ao enfrentamento que teve, ainda adolescente, aos 15 anos, ao transgredir todos os códigos da burguesia francesa para conquistar o amor de uma mulher 24 anos mais velha do que ele, a ex-professora de francês e teatro Brigitte ou Bibi, destaca Le Point.

Emmanuel e Brigitte Macron têm uma relação fusional e de intensa cumplicidade intelectual, dizem amigos do casal. A maneira como eles enfrentaram os preconceitos e construíram uma sólida relação num ambiente hostil é algo que intriga e provoca até hoje reações misóginas. A capa do semanário satírico Charlie Hebdo anunciando que "ele fará milagres" ao lado do desenho de Brigitte grávida, aos 64 anos, provocou risos, mas também não agradou muita gente.

Na saga de Macron, a imprensa mostra que ele soube conquistar a admiração e o respeito dos três filhos dela, hoje com 42, 40 e 33 anos. A filha mais nova, Tiphaine, disse à L’Obs que Macron sempre foi muito atencioso. "Ele escolheu minha mãe e os filhos dela, nós somos sua família." Tudo na vida de Macron insinua uma certa pressa: ele nem completou 40 anos e já é avô de sete crianças.

O centrista levará um novo time ao Palácio do Eliseu. Dá para contar nos dedos os políticos de carreira que embarcaram nessa aventura desde o início da criação do movimento “Em Marcha”, há pouco mais de um ano. Le Point aponta 32 "homens e mulheres" do presidente. Já L’Obs estabelece uma lista com os 100 colaboradores que Macron reuniu para reformar a França.

Os principais nomes da área econômica são Jean-Pisani-Ferry, autor do programa do presidente eleito, ex-coladorador do ex-primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e também de Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI); Philippe Martin, ex-assessor de Macron no Ministério da Economia, vencedor ao lado de Thomas Piketty, em 2002, do prêmio de Melhor Jovem Economista da França; e Marc Ferracci, o melhor amigo de Macron, padrinho de casamento e professor na Universidade Panthéon-Assas.
 

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