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O Mundo Agora

Em posse, Macron mostrou querer exercer o poder com autoridade

Áudio 04:36
O centrista pró-europeu Emmanuel Macron assumiu oficialmente neste domingo como presidente da França em uma cerimônia solene no palácio do Eliseu.
O centrista pró-europeu Emmanuel Macron assumiu oficialmente neste domingo como presidente da França em uma cerimônia solene no palácio do Eliseu. REUTERS/Francois Mori/Pool

Em matéria de cerimonial a França dá de dez a zero em qualquer um. A entronização do novo presidente foi um show de símbolos e douramentos da República francesa. Emmanuel Macron fez questão de seguir todos os rituais que dão corpo ao seu papel de presidente.

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Um presidente “jupiteriano”, declarou. Mas essa referência ao deus dos deuses tem pouco a ver com exibicionismo vácuo: Macron é obrigado a mostrar autoridade. Com 39 anos de idade, trata-se do mais jovem chefe de Estado francês desde de Napoleão Bonaparte, e um dos mais jovens do mundo. Seus adversários políticos e os líderes estrangeiros sempre duvidaram de sua capacidade em governar a quarta potência militar do planeta.

Todo o cerimonial militar foi claramente pensado para mostrar que agora a França tinha um comandante em chefe de verdade, com disposição para defender o país, dentro e fora do território nacional.

No entanto, “Júpiter” não é só ter na mão o botão nuclear ou decidir intervenções armadas. Macron prometeu que vai mudar profundamente a economia e a sociedade francesas. Só que os franceses não acreditam mais em promessas.

Os últimos presidentes da República também prometeram muito, mas não tiveram coragem de enfrentar um país paralisado por instituições arcaicas, vantagens corporativistas, uma dívida pública monumental, um desemprego de massa, uma economia em decadência...

E, pior ainda, uma opinião pública à beira do ataque de nervos, hostil a qualquer tipo de reformas. Macron quis também demonstrar que ser presidente não é seguir o público, é liderar. É preciso poder, audácia e energia para enfrentar os desafios.

Presidente aberto e com vontade de exercer o poder do cargo

O novo presidente quer ser um dirigente aberto, preocupado com a vida de cada cidadão, querendo reunir o país inteiro em torno do seu projeto. Mas também deixou claro que será um líder decidido e até autoritário, e que não vai hesitar em tomar decisões impopulares se necessário for.

Essa demonstração de que o jovem presidente quer exercer plenamente todo poder do cargo é uma boa notícia para França e para a Europa. Na França – é claro – muita coisa vai depender das eleições legislativas de junho próximo. Sem maioria no Parlamento, o Presidente é capenga.

Ganhar essas eleições será portanto o terceiro turno dessa conquista do poder sui generis. Para a Europa, o futuro é mais alvissareiro.

Macron defendeu corajosamente uma economia e sociedade abertas ao mundo e à globalização, e uma União Europeia ainda mais integrada e forte com a França dentro da construção europeia. E isso diante de adversários quase todos favoráveis a sair da Europa e fechar o país erguendo barreiras protecionistas – não só contra as importações mas também contra os imigrantes, os capitais estrangeiros, e tudo que vem do exterior.

O objetivo de Macron é simples: reconstruir a potência francesa para poder conversar de igual para a igual com a Alemanha a fim de restabelecer o famoso “casal franco-alemão”, o único verdadeiro motor da integração europeia capaz de reformar e modernizar a União.

O jovem presidente francês sabe perfeitamente que a União Europeia está em crise, e que os movimentos populistas e nacionalistas estão tentando aproveitar a situação para destruí-la. Mas ele também sabe que sem uma Europa forte e integrada, a França – e os outros países europeus – não tem a mínima chance de enfrentar os grandes polos de poder mundial (os Estados Unidos, a China ou a Rússia) ou de se defender contra as ameaças do terrorismo e das guerras sem fim nas regiões vizinhas. Só que para relançar o projeto europeu, Macron vai ter que convencer os alemães.

A vitória estrondosa do partido da chanceler Angela Merkel nas eleições regionais da Renânia do Norte-Vestfália é um bom sinal. A chanceler mostrou que tem fartas condições de ganhar as próximas eleições nacionais em setembro. E também já deixou claro que topa conversar e cooperar seriamente com Emmanuel Macron. Não é à toa que o jovem Macron-Bonaparte viaja nesta segunda-feira (15) para Berlim. Sua primeira visita ao exterior.

 

 

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