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Opositores à candidatura de Paris para Jogos de 2024 querem referendo

As promoções para a candidatura para os Jogos de 2024 pode ser vista por toda a capital francesa
As promoções para a candidatura para os Jogos de 2024 pode ser vista por toda a capital francesa REUTERS/Charles Platiau

Em plenas Jornadas Olímpicas (23 e 24 de junho), com Paris realizando uma mega operação de marketing em favor da sua candidatura para sediar os Jogos de 2024, vozes contrárias ao evento começam a vir à tona e tentam organizar um referendo popular.

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Se a capital francesa não mede esforços para convencer o Comitê Olímpico Internacional a escolhê-la como sede dos Jogos de 2024, uma outra mobilização toma corpo para obter uma consulta popular para saber se os habitantes de Paris são contra ou a favor.

O coletivo "Referendum Paris 2024" criou um formulário com o objetivo de conseguir 5.000 assinaturas de parisienses, necessárias para a questão ser levada ao Conselho de Paris, autoridade que aprova ou afasta a proposta de um referendo. Esta não foi a primeira vez que o pedido foi apresentado ao Conselho, que já recusou a ideia em março deste ano, levada por deputados do Grupo Ecologista de Paris.

Os argumentos apresentados são muitos: especulação imobiliária, alta dos aluguéis e impostos prediais, lucros em benefício dos patrocinadores e parceiros em detrimento dos participantes locais, além da poluição.

Para os organizadores do referendo, " o objetivo não é recusar os Jogos por recusar, mas sim levar os habitantes da cidade à reflexão sobre o real impacto do evento". Em outras palavras, "decidir de fazer os Jogos, se quiserem fazê-los".

E enquanto militantes de esquerda e ecologistas defendem o princípio do referendo, o governo rejeitou, até agora, a ideia de dar a palavra aos habitantes.

"Paris 2024: os adversários continuam sem ser ouvidos"

Esta é a manchete do artigo de página inteira do jornal francês Le Monde datado de sábado (24), que constata que os críticos à candidatura francesa não souberam se organizar nem concentrar seus diferentes argumentos. Em plenas Jornadas Olímpicas promocionais, "os opositores à candidatura francesa parecem ter perdido há muito tempo a batalha no campo do debate público", diz o artigo, ressaltando que esta aparente "paixão geral pelos Jogos" deve ser relativizada, pois a oposição ao evento existe e é bem real. O jornal cita o seu próprio site, que registra dezenas de comentários hostis a cada publicação sobre o assunto, com críticas aos custos, à poluição e ao elitismo.

Mas Le Monde constata que, mesmo se rebelando contra a candidatura, os opositores não souberam se articular como fizeram as cidades de Budapeste, Boston e Hamburgo, que se retiraram da corrida.

A deputada Danielle Simonnet, de esquerda, foi uma das poucas a se posicionar claramente contra a candidatura de Paris durante o voto no Conselho de Paris, em 13 de abril de 2015: "Em nenhum momento pediram a opinião dos parisienses e dos franceses em geral. De repente, deixaram a democracia pra lá!", protestou.

Para quem observa de fora, um aspecto é flagrante: o desequilíbrio do timing. Enquanto os adversários dos Jogos de 2024 ainda tentam reunir 5.000 assinaturas para apresentar um projeto de referendo ao Conselho, Paris vive dois dias de promoções esportivas faraônicas, em uma ofensiva milionária de marketing para seduzir os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI).

A decisão será anunciada em pouco mais de dois meses, em 13 de setembro.

 

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