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França

Análise: Macron rompe ciclo eurocético com visão audaciosa para Europa

O presidente francês, Emmanuel Macron, pronuncia discurso sobre a refundação da União Europeia na Sorbonne, em Paris.
O presidente francês, Emmanuel Macron, pronuncia discurso sobre a refundação da União Europeia na Sorbonne, em Paris. REUTERS/Ludovic Marin/Pool

A imprensa francesa é unânime nesta quarta-feira (27) ao elogiar o discurso considerado audacioso do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a refundação da União Europeia. Macron apresentou uma série de projetos concretos para melhorar o funcionamento do bloco europeu nos próximos dez anos, falando para uma plateia de estudantes e personalidades europeias na Universidade Sorbonne, em Paris.

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Entre os convidados de prestígio na Sorbonne estavam o ex-deputado europeu Daniel Cohn-Bendit, líder do movimento de Maio de 1968 na França, e o cineasta franco-grego Costa Gavras.

Para o Le Monde, Macron fez um discurso "ambicioso, entusiasta e otimista, com um lirismo que o mundo terá de se acostumar". O último presidente a falar da Europa com tanta convicção foi François Mitterand (1981-1994), observa Le Monde, e "Macron tem razão de querer uma Europa mais integrada, unida e democrática".

No pronunciamento, o chefe de Estado francês propôs a criação de uma "Academia Europeia de Inteligência" e de um "Escritório Europeu de Combate ao Crime Organizado e ao Terrorismo". Sugeriu a fundação de um escritório europeu de asilo e o "financiamento de um grande programa de treinamento para refugiados". Na questão da Defesa, Macron defendeu a construção de uma frente de defesa comum na Europa, com um “trabalho comum de inteligência, planejamento e suporte para operações".

O centrista defendeu ainda a taxação das transações financeiras no continente, para financiar políticas de desenvolvimento comum para a União Europeia e também para a África. Ele reafirmou a vontade de ver um orçamento para a zona do euro, liderado por um ministro das Finanças e controlado por um Parlamento. E desenhou os contornos de uma Europa em várias velocidades, em que a França e a Alemanha poderiam se aproximar e o Reino Unido poderia encontrar um lugar.

Visão de longo prazo tinha desaparecido do radar dos políticos

Para o diário conservador Le Figaro, o discurso de Macron foi audacioso e marca uma guinada. "Há mais de 25 anos não se ouvia um líder europeu falar do continente com orgulho e ambição", destaca o jornal. "A perspectiva de longo prazo havia desaparecido do radar dos políticos, substituída por um euroceticismo vergonhoso", acrescenta o texto. Macron tem razão de denunciar uma construção europeia que se formou nas instituições, em Bruxelas, alienada do povo, aplaude o Le Figaro.

O liberal Les Echos, maior jornal econômico do país, nota que os projetos imaginados por Macron, com enfoque nos cidadãos europeus, seguem a dinâmica que ele construiu em seu próprio movimento para chegar à presidência da França. "Banir o pessimismo, dialogar para superar as resistências nacionais, reconciliar os cidadãos com as elites políticas, acreditar que o movimento pode dar cabo da paralisia [...] É preciso se felicitar da audácia desse presidente, a menos que tudo isso se revele uma loucura", diz o Les Echos.  

O jornal de esquerda Libération afirma que Macron adotou um tom de bom-senso e audacioso em sua visão para a Europa. "Sem mudanças rápidas, que relancem a economia do bloco, a União Europeia corre o risco de sucumbir ao nacionalismo populista. Sem projetos de grande envergadura, as pessoas se distanciam cada vez mais da política", constata o Libération. "Macron tem razão de apontar um horizonte: uma Europa com uma defesa comum, aberta à imigração, comprometida com a luta contra o terrorismo e sobretudo mais social e voluntariosa na proteção de seus cidadãos.

Já o jornal comunista L'Humanité criticou Macron por ter afastado da Sorbonne uma centena de estudantes que haviam preparado um protesto contra as reformas consideradas liberais de seu governo.

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