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Cildo Meireles: “A arte, cuja função é não ter função, é imprescindível”

Áudio 07:10
O artista plástico Cildo Meireles, um dos destaques da Bienal de Lyon.
O artista plástico Cildo Meireles, um dos destaques da Bienal de Lyon. RFI/Maria Emília Alencar

Cildo Meireles é um dos artistas brasileiros com maior longevidade na cena contemporânea internacional. Conhecido por suas grandes instalações – que fazem parte das coleções de reputados museus da Europa e dos Estados Unidos – ele apresenta atualmente na Bienal de Lyon, na França, a obra "Babel", uma torre de 5 m de altura construída com rádios empilhados, cada um sintonizado em uma estação diferente. Uma possível metáfora da cacofonia existente no Brasil de hoje – admite o artista.

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“Essa obra funciona como um sensor do que está no ar naquele momento”- diz ele nessa entrevista à RFI. “Babel”, montada pela primeira vez em 2001 no Kiasma Museum de Helsinki, na Finlândia, já foi apresentada também na Estação Pinacoteca em São Paulo e na Tate Modern em Londres, que realizou em 2008 uma mostra individual dos trabalhos do artista. Nesse mesmo ano, Cildo ganhou o prêmio Velásquez das Artes Plásticas, na Espanha.

Apesar da celebridade incontestável que ele tem no mundo da arte contemporânea, Cildo se expressa com simplicidade sobre seus projetos, confessando que “escolheu as artes plásticas para não ter que falar”. E sem nenhuma arrogância, observa que “a arte, cuja função é não ter função, acaba sendo imprescindível para nossa caminhada nesse planeta”.

O artista carioca, que começou a expor no final dos anos 60, foi intensamente influenciado pela produção neoconcretista do início dessa década e mais tarde pela arte conceitual. Mas ele sempre se destacou por suas instalações sensoriais e lúdicas que dialogam com as questões políticas e sociais do Brasil.

Entre seus trabalhos mais conhecidos, ”Inserções em circuito ideológico: Projeto Coca-Cola”, de 1970, que consiste em inscrições de frases como “Yankees go home” nas tradicionais garrafas de Coca-Cola, ícones do chamado imperialismo norte-americano. Em plena ditadura militar no Brasil, ele aplicava decalques em silk-screen nas garrafas que voltavam à circulaçao entre os consumidores com várias mensagens contra o regime da época.   

Uma de suas obras mais sensoriais “Desvio para o vermelho” – três cômodos onde todos os objetos têm a cor vermelha – concebida em 1967, e montada em 1984, faz parte hoje da coleção do museu de Inhotim, em Minas Gerais.

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