Acessar o conteúdo principal
Cultura

Mega exposição em Paris homenageia Barbara, ícone da chanson française

Áudio 06:04
A exposição Barbara fica em cartaz na Philarmonie até o dia 28 de janeiro de 2018.
A exposição Barbara fica em cartaz na Philarmonie até o dia 28 de janeiro de 2018. © Just Jaeckin preview

Ela foi um dos grandes nomes da chanson française, um ícone, uma diva. Barbara. Vinte anos após sua morte, aos 67 anos, ela é tema de várias homenagens. A principal é uma gigantesca exposição na Philarmonie de Paris, onde o visitante passa por um túnel do tempo, embalado por canções e pela vida de uma das artistas mais queridas do vasto repertório francês.

Publicidade

Monique Serf nasceu em 9 de junho de 1930, em Paris, de família judia e pobre, à beira de uma guerra que marcou sua vida e o mundo. A infância foi nômade, fugindo de perseguições e da miséria. A música salvou sua vida, a partir das aulas de piano na infância e da descoberta de Edith Piaf. Já como “Barbara”, nome da avó, dos cabarés em Bruxelas, Bélgica, e Paris, ela acabou nos grandes palcos franceses, com suas interpretações pessoais e canções próprias. A curadora Clémentine Deroudille, falou à RFI sobre o intimismo da exposição na Philarmonie:

“O objetivo foi passar para o outro lado da cortina, passar o outro lado da imagem que temos de Barbara, sempre de negro, a depressão, a tristeza, a solidão, que também fazem parte, mas também mostrar outras facetas. Ela teve uma vida marcada por eventos extraordinários, os concertos, principalmente. Eu quis que ela nos acompanhasse por todo o percurso, com suas músicas, seus depoimentos. É portanto uma exposição 'live', bastante teatral, tão espetacular quanto um show de Barbara.”

Voz e emoção

Depois dos primeiros sucessos, Barbara vai definindo seu estilo. Deixa de cantar composições alheias e aposta nas suas anotações sem fim, na emoção e no piano. Ela canta com grandes nomes da época, como Serge Gainsbourg e Jacques Brel. No palco, ela fica maior do que já era, alta e magra, sempre vestida de negro, contra o fundo negro, sentada no piano negro. Suas músicas e interpretações viscerais entram para a história, como "L'Aigle Noir", "Quand il pleut à Nantes" e, dedicada a seu público, "Ma plus belle histoire d'amour c'est vous" (Minha mais bela história de amor são vocês, em tradução livre).

Barbara não roda o mundo, mas faz concertos memoráveis no Japão, e no Metropolitan Opera, de Nova York, onde ela canta, enquanto Mikhail Baryshnikov dança. Ela inventa espetáculos, como Lilly Passion, uma história de amor entre uma cantora de cabaré e um assassino, vivido por Gérard Depardieu. O ator lançou um álbum no início de 2017 e tem feito vários espetáculos com o nome do CD: “Depardieu canta Barbara”.

{{ scope.counterText }}
{{ scope.legend }}© {{ scope.credits }}
{{ scope.counterText }}

{{ scope.legend }}

© {{ scope.credits }}

Engajamento e discrição

Barbara é discreta, mas engajada. Nos anos 1980, quando a Aids amedronta o mundo, ela se aproxima de associações, entra na luta contra o preconceito, por direitos, por informações. Ela visita doentes, ela canta em prisões, sempre sem alarde midiático. Ela também participa da campanha eleitoral do candidato socialista François Mitterrand, em 1988.

A exposição traz também várias entrevistas e depoimentos da própria Barbara, tida como misteriosa e difícil. No trecho a seguir, Barbara fala de Barbara:

“Há uma espécie de lenda que vem antes da minha própria pessoa, dizem que sou insuportável, que falo pouco. Sim, eu falo pouco, sou uma pessoa gentil, não dou ordens. Na verdade tenho medo, tem gente que compreende isso perfeitamente, não entendo quando as pessoas falam que eu faço um jogo. Tem outras que dizem que sou horrível, não acredito nisso. Não sou fácil de conviver, admito, mas não sou uma megera."

O cinema entrou na vida da artista a partir do filme “Franz”, dirigido pelo amigo Jacques Brel. Ela também é tema de um filme lançado em Cannes, “Barbara”, dirigido por Matthieu Amalric. É um exercício sobre o mito de Barbara, onde um diretor, interpretado pelo próprio Amalric, filma a vida da artista, por sua vez vivida pela extraordinária atriz Jeanne Balibar, em um intrincado jogo de ficção sobre um mito tão humano.

Barbara fica em cartaz na Philarmonie até o dia 28 de janeiro de 2018. A entrada é gratuita para quem se chama Barbara. Ou Bárbara.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.