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Pesquisa

Estudo revela discriminações por origem social e idade na França

Cartaz de campanha da ONG SOS Racismo com o hashtag #todosiguais, durante a última campanha presidencial francesa.
Cartaz de campanha da ONG SOS Racismo com o hashtag #todosiguais, durante a última campanha presidencial francesa. Capture d'écran du site de SOS Racisme

Um estudo inédito realizado pela ONG SOS Racismo em parceria com o Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS), divulgado nesta quinta-feira (23), revela a amplitudes das discriminações entre franceses em função da origem social e da idade. O fenômeno não é novo, mas persiste enraizado na sociedade apesar das leis que proíbem a discriminação e dos debates sobre diversidade e inclusão social.

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Para realizar o estudo, a SOS Racismo e uma equipe de pesquisadores do CNRS criaram seis perfis fictícios: um homem e uma mulher de 22 anos de origem francesa, um homem e uma mulher de 22 anos de origem africana, um homem de 22 anos de origem francesa residente em um bairro de periferia e um homem de 42 anos de origem francesa. À exceção dos dados de identidade, as seis pessoas apresentaram em suas fichas cadastrais os mesmos dados de formação educacional.

Em seguida, os pesquisadores enviaram os perfis para 15 mil candidaturas em sete setores pouco avaliados até agora: anúncio de emprego, solicitação de crédito bancário, inscrição em curso profissionalizante, aluguel de ponto comercial, aluguel de temporada, contratação de seguro do carro e de convênio de saúde.

Critérios comerciais duvidosos

Os resultados revelam um grau de discriminação bem mais amplo do que se esperava. Segundo Yannick L'Horty, um dos autores do estudo, "as práticas comerciais estão longe de garantir um tratamento igualitário aos clientes em potencial".

De 38 companhias de seguro de automóveis testadas, a grande maioria aceitou os 228 pedidos enviados sem discriminar os perfis fictícios pela cor da pele do candidato (86,8% de respostas positivas), mas o homem jovem morador de um bairro da periferia conseguiu apenas 78,9% de respostas positivas. Ele também foi penalizado com uma tarifa de seguro anual de 681,40 euros, contra 621,40 para um homem jovem com o mesmo carro morando em outro lugar. Já o francês de 42 anos obteve uma oferta de seguro mais barata, de 586,40 euros, para o mesmo carro.

Neste exemplo, o estudo nota uma dupla diferença de tratamento: o jovem de periferia tem menos acesso ao seguro do carro e, quando consegue, paga mais caro pela apólice, explica Yannick l'Horty.

Financiar a compra de um carro usado também é mais difícil para os jovens. Nos 20 bancos testados, a pessoa que obteve o maior número de respostas positivas foi o homem de 42 anos, num total de 65% pedidos aceitos, contra 30% a 40% para os mais jovens, independentemente do sexo e do local de moradia. O mais velho conseguiu o acesso ao crédito com mais facilidade, mas a juros mais altos que os dos concorrentes mais jovens – uma taxa de 8,73% ao ano contra 7,19% a 7,83% para os mais jovens. A discriminação foi positiva no critério da idade, mas negativa no quesito custo.

As companhias de seguro saúde testadas também confirmaram que a idade funciona como um fator de discriminação na composição dos preços: o homem de 42 anos recebeu uma proposta de seguro saúde 50% mais cara que os jovens de 22 anos.

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