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Imprensa

Libération alerta para perigosa rota de migrantes nos Alpes franceses

Capa do jornal Libération desta segunda-feira, 18 de dezembro de 2017, mostra grupo de migrantes atravessando fronteira entre a França e a Itália nos Alpes.
Capa do jornal Libération desta segunda-feira, 18 de dezembro de 2017, mostra grupo de migrantes atravessando fronteira entre a França e a Itália nos Alpes. Reprodução/Libération

18 de dezembro é o Dia Internacional dos Migrantes. Para marcar a data, o jornal Libération desta segunda-feira traz em sua matéria de capa um alerta para a situação das milhares de pessoas que continuam fugindo das guerras, das perseguições políticas e da fome no Oriente Médio e na África. Devido ao fechamento das fronteiras na maioria dos países europeus, os migrantes encontram caminhos alternativos para chegar ao Velho Continente: milhares vêm, inclusive, atravessando as montanhas dos Alpes. 

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Segundo Libération, cerca de 2 mil migrantes chegaram à França recentemente atravessando a fronteira franco-italiana. Através da Líbia, eles cruzam o mar Mediterrâneo para chegar à Itália, de onde, a pé, partem em direção da França. São os próprios moradores de pequenas cidades das montanhas que socorrem os migrantes.

Libé acompanhou o trabalho voluntário de um morador de Col de Montgenèvre, cidade à 1.850 metros de altitude nos Alpes, que resgata os migrantes na neve para levá-los até os centros que acolhem os refugiados. Na noite do último sábado (16), com o termômetro marcando 8 graus negativos, o homem encontrou oito jovens africanos perdidos na neve, muitos deles em estado de hipotermia. 

Entrevistada pelo jornal, uma outra voluntária desabafou: "As noites em que não saímos para ajudar os migrantes, não dormimos bem. Provavelmente na primavera, quando a neve derreter, vamos encontrar muitos corpos", diz.

Nova lei de imigração deve agravar situação

Essa situação tende a piorar no próximo ano, avalia o jornal. Destruição de abrigos, perseguição aos ilegais, aumento das expulsões: o projeto de lei do governo francês para tratar da crise dos migrantes e que deve ser lançado no início de 2018, preocupa as associações, escreve Libération. O texto prevê, por exemplo, reduzir o tempo de análise dos pedidos de asilo de 14 para seis meses e o aumento de 45 dias para 90 dias do tempo de detenção de migrantes.

ONGs humanitárias classificam como "tortura" as decisões do ministro francês do Interior, Gérard Collomb. Em algumas cidades da França, como Calais, no norte do país, onde um imenso acampamento de migrantes foi desmantelado em 2016, a ordem das autoridades seria até mesmo privar os migrantes de água.

"O objetivo do governo francês é acelerar as expulsões, que tiveram um aumento de 8% em 2017", diz Libération. Segundo o diário, em uma circular divulgada no começo deste mês, o ministro do Interior exige que as administrações locais impeçam cada vez mais os migrantes de fazerem pedido de asilo na França. 

Não foi à toa que o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou recentemente que a França não pode "acolher toda a miséria do mundo", lembra Libération. "Definitivamente, a generosidade não é unanimidade", nem na França, nem na União Europeia, conclui. 

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