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Terrorismo

França lembra 3 anos do atentado contra revista Charlie Hebdo

Capa da edição especial da revista Charlie Hebdo sobre os três anos do atentado contra sua redação.
Capa da edição especial da revista Charlie Hebdo sobre os três anos do atentado contra sua redação. Charlie Hebdo

A França realiza neste fim de semana uma série de homenagens às vítimas dos atentados de janeiro de 2015. Há três anos, boa parte da redação da revista satírica Charlie Hebdo era dizimiada por dois terroristas, massacre que foi sucedido pelo ataque contra clientes do supermercado Hyper Cacher e pela morte de uma policial na periferia de Paris.

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As organizações Primavera Republicana, Liga Contra o Racismo e o Antissemitismo e o Comitê Laicidade República realizam na tarde deste sábado (6) o ciclo de debates "Sempre Charlie!", no espaço Folies Bergere, em Paris. Cerca de 1.500 pessoas são esperadas para o evento, que contará com a participação do atual chefe de redação da revista Charlie Hebdo, Gérard Biard, além do ex-primeiro-ministro francês, Manuel Valls, e representantes de movimentos pela liberdade de expressão, como a fundadora do Femen, Inna Shevchenko e a filósofa Elisabeth Badinter. 

A diretora de recursos humanos do Charlie Hebdo, Marika Bret, também participará do debate. Outros membros da revista não estarão presentes "por razões de segurança", segundo os organizadores. 

A homenagem oficial será realizada no domingo (7), quando completam-se exatos três anos do massacre contra o Charlie Hebdo. O presidente francês, Emmanuel Macron, irá até a antiga sede da revista, alvo do ataque, às 11h, momento em que os terroristas Saïd e Cherif Kouachi iniciaram o massacre. Em seguida, o chefe de Estado prestará uma homenagem no boulevard Richard Lenoir, diante do monumento em homenagem ao policial Ahmed Merabet, alvejado à queima-roupa, momentos após atentado contra a revista.

Logo depois, Macron se dirigirá ao supermercado Hyper Cacher, na periferia de Paris. No dia 9 de janeiro de 2015, entre as 17 pessoas mantidas como reféns durante horas, quatro foram mortas pelo terrorista Amedy Coulibaly

17 mortos em dois dias

No total, 17 pessoas morreram nos ataques entre 7 e 9 de janeiro de 2015. No atentado contra o Charlie Hebdo, os irmãos Kouachi alvejaram os chargistas Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski, a psiquiatra Elsa Cayat, o economista Bernard Maris, o corretor do jornal, Mustapha Ourrad, o jornalista Michel Renaud, o policial Franck Brinsolaro, guarda-costas de Charb, e o agente Frédéric Boisseau. Os autores do massacre, reivindicado pela Al-Qaeda, pretendiam punir o periódico por ter publicado uma caricatura do profeta Maomé. 

Na fuga, os autores do ataque ainda executaram o policial Ahmet Marabet, que estava a poucos metros do prédio da publicação. Saïd e Cherif Kouachi foram abatidos dois dias depois durante uma operação policial na periferia de Paris. 

Um dia depois do ataque, em 8 de janeiro de 2015, a policial Clarissa Jean-Philippe foi abatida por Amedy Coulibaly, quando realizava uma operação policial nas proximidades de uma escola judaica do município de Montrouge, periferia de Paris. 

O mesmo terrorista invadiu o supermercado Hyper Cacher, em Porte de Vincennes, em 9 de janeiro de 2015. No local, ele executou quatro homens: Philippe Braham, François-Michel Saada, Yoav Hattab e Yohan Cohen. Quatro horas depois de ter se trancado no local com 17 reféns, ele foi abatido por policiais. Em um vídeo postado na internet dois dias depois do ataque, mas retirado rapidamente pelas autoridades francesas, Coulibaly diz ser um soldado do grupo Estado Islâmico.

Ameaças contra Charlie Hebdo continuam

Três anos depois do atentado que dizimou sua redação, a revista satírica francesa Charlie Hebdo continua tentando voltar à normalidade, em meio a ameaças contínuas e medidas de proteção excepcionais. Em uma edição especial de aniversário, os jornalistas da revistas dizem que esse dia foi um novo início para a Charlie Hebdo. 

"Três anos em uma lata de conserva", diz a manchete de capa da edição que chegou às bancas na última quarta-feira (3), exibindo o desenho de um homem atrás de uma porta blindada. Na publicação, os jornalistas descrevem seu cotidiano vivido na presença de um forte dispositivo de segurança. 

Em editorial, Riss, o diretor da redação, detalha todas as medidas para a proteção dos integrantes da revista, que incluem a instalação de sistemas caros e a contratação de agentes de uma empresa privada. "É normal para um revista de um país democrático que a venda de mais de um exemplar a cada dois tenha que financiar a segurança de seus locais e jornalistas?", questiona Riss, que considera que a liberdade de expressão "está se tornando um artigo de luxo".

Na edição especial, os jornalistas da revista também falam sobre as ameaças que recebem regularmente, sobretudo nas redes sociais, por suas capas que continuam sendo abertamente provocadoras. "Vivemos em meio a uma guerra que pode voltar a qualquer momento", resume o jornalista Fabrice Nicolino no artigo "O que mudou em três anos".

Edição sobre os três anos do aniversário do atentado contra o Charlie Hebdo chegou às bancas na quarta-feira (3).
Edição sobre os três anos do aniversário do atentado contra o Charlie Hebdo chegou às bancas na quarta-feira (3). Charlie Hebdo

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