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França

Teólogo islâmico Tariq Ramadan é acusado de estupro e preso em Paris

O teólogo suíço, Tariq Ramadan, em foto de arquivo.
O teólogo suíço, Tariq Ramadan, em foto de arquivo. MEHDI FEDOUACH / AFP

O teólogo suíço especializado em estudos islâmicos, Tariq Ramadan, foi formalmente acusado de estupro na noite de sexta-feira (2) e preso em Paris. Ele estava em detenção provisória desde quarta-feira (31), após duas denúncias de agressões sexuais, em 2009 e 2012, na França. 

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De acordo com fontes judiciais, as acusações contra o acadêmico islâmico de 55 anos são estupro e estupro de vulnerável, já que uma das vítimas é deficiente física. Ramadan nega os crimes e denuncia "uma campanha de calúnias". Depois do escândalo, ele foi demitido da Universidade de Oxford, no Reino Unido, onde lecionava

O influente e polêmico teólogo fez um apelo para que sua prisão seja objeto de um debate entre os juízes que a determinaram e sua defesa. Durante essas discussões, que devem ocorrer nos próximos dias, Ramadan permanecerá detido na capital francesa.

Estupros e agressões física 

A Procuradoria de Paris abriu uma investigação sobre o acadêmico em outubro de 2017, depois que uma acusação de estupro foi apresentada por Henda Ayari, de 40 anos, ex-salafista que se tornou militante feminista e laica. Ela havia revelado a agressão em 2016, em seu livro "Escolhi Ser livre”. Na obra, ela se refere a um homem com o nome de Zoubeyr e narra um encontro em um quarto de hotel em Paris, onde o intelectual muçulmano tinha acabado de dar uma palestra.

"Por pudor, não darei aqui detalhes sobre o que ele me fez. Basta saber que ele se aproveitou amplamente da minha fragilidade", escreveu Ayari. Ela assegura que quando se "rebelou" e "gritou para que parasse", foi insultada, "esbofeteada" e "estuprada". No final de outubro, após a onda de revelações de agressões sexuais desencadeadas pelo escândalo envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein, ela decidiu revelar, em sua página no Facebook, que o homem que a agrediu era Tariq Ramadan.

A segunda acusação vem de uma mulher que não teve sua identidade revelada e é apresentada sob o pseudônimo de Chrystelle, de 40 anos, deficiente física. Ela afirma que, como Henda Ayari, se encontrou com o teólogo após uma conferência em um hotel, em Lyon, no leste da França, e foi agredida e estuprada assim que entrou no quarto de Ramadan. 

"Socos no rosto e corpo, sodomia forçada, estupro com um objeto e diversas humilhações, até ser arrastada pelos cabelos até a banheira e obrigada a urinar, como ela descreveu à polícia", publicou a revista Vanity Fair, que a entrevistou. 

Maior escândalo após Harvey Weinstein

O caso de Ramadan explodiu na França alguns dias depois que o escândalo sexual envolvendo o produtor americano Harvey Weinstein veio à tona. Na época, em paralelo ao movimento #MeToo, as francesas criaram o #BalanceTonPorc (Entregue seu Porco, em português), suscitando centenas de denúncias de assédios e agressões sexuais em diversos setores na França. 

A abertura da investigação sobre os supostos estupros cometidos pelo intelectual também fez vir à tona acusações de agressões sexuais contra alunas de 17 a 19 anos, em Genebra, na Suíça onde Ramadan lecionava francês em uma escola, nos anos 90. Na época, nenhuma investigação foi aberta, mas o teólogo foi demitido. 

"Se há outras vítimas na França ou em outros países, elas sabem agora que a justiça pode considerar o que elas viveram", declarou Jonas Haddad, advogada de Henda Ayari. Já o advogado de Chrystelle, Éric Morain, está convencido de que outras mulheres abusadas por Ramadan terão coragem de fazer o mesmo que sua cliente e denunciá-lo. 

Neto do fundador da Irmandade Muçulmana

O teólogo, de 55 anos, é neto do fundador da organização islâmica egípcia Irmandade Muçulmana. Ele era professor de Estudos Islâmicos Contemporâneos na Universidade de Oxford, no Reino Unido, de onde foi afastado após o escândalo.

Durante muito tempo, Ramadan foi uma personalidade assídua nos programas de televisão e na imprensa. Popular no mundo muçulmano, ele é também muito criticado, especialmente nos meios laicos, que o veem como instigador do islã político. 
 

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