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Imprensa

Filhos de jihadistas que retornam à França podem ser "bomba-relógio", diz imprensa

A polêmica questão da volta dos filhos de jihadistas franceses ao país é destaque no jornal Libération desta sexta-feira (16).
A polêmica questão da volta dos filhos de jihadistas franceses ao país é destaque no jornal Libération desta sexta-feira (16). Reprodução Libération.fr

O jornal Libération desta sexta-feira (16) se preocupa com o destino de filhos de jihadistas franceses que foram lutar na Síria e no Iraque. Para o diário, a sociedade teme que eles sejam "uma espécie de bomba-relógio".

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"O acolhimento cheio de armadilhas dos filhos da jihad", é o título de uma matéria publicada pelo jornal Libération. O diário trata do destino dos filhos de jihadistas franceses e francesas, que voltam das zonas de guerra do grupo Estado Islâmico para a França. 

Segundo Libé, das cerca de 450 crianças que nasceram em meio aos combates ou que partiram com os pais para a Síria ou o Iraque, 50 estariam de volta à França - um "complexo e sensível retorno", classifica o jornal. 

O diário lembra que a maioria dessas crianças e adolescentes foi exposta à violências, viveu em uma zona de guerra e algumas chegaram a lutar em nome do grupo Estado Islâmico. Entre o medo das famílias que as acolhem de que elas jamais se recuperem psicologicamente e o temor da sociedade que elas sejam uma espécie de "bomba-relógio", a situação dos "filhos da jihad" é complexa, avalia o jornal.

Kit para desradicalização

"Não há um kit de para desradicalização", diz um juiz especializado nesses casos, ao jornal Libération. Um relatório ao qual o jornal teve acesso aponta que há frequentemente manobras e tentativas para se desvencilhar do problema passando esses casos de um serviço a outro, o que revela - diz o diário - o mal-estar dos profissionais ao lidar com a situação. 

Todas as fontes entrevistadas por Libération garantem, no entanto, que o governo francês trabalha sobre a questão de forma confidencial. "De qualquer jeito, não podemos dizer que quando forem adultos, essas crianças não serão potencialmente perigosas, afirma a diretora de um órgão de proteção à criança na França. "O que não se pode esquecer" - reitera - "é que neste momento, elas são apenas crianças". 

50 mil migrantes menores

Le Figaro aborda outro problema envolvendo crianças e adolescentes no país. "O número de menores estrangeiros explode" é o título de uma matéria publicada pelo diário. Segundo o jornal, a França contabiliza hoje cerca de 50 mil jovens migrantes desacompanhados em seu território.

O jornal conservador considera especialmente os gastos do Estado com esses jovens. A conta anual da França com esses menores é de US$ 1,5 bilhão de euros por ano, salienta.

Os governos regionais se preocupam com a situação e com a chegada exponencial de migrantes crianças e adolescentes, que não dá trégua nem mesmo durante o inverno. Le Figaro explica que, a cada ano, cada departamento francês assume 25 mil novos casos. 

Por isso, além de uma contribuição maior do Estado, os conselhos departamentais esperam uma ação mais eficaz do governo contra os traficantes de pessoas. Segundo Le Figaro, eles seriam responsáveis pela chegada de 95% dos menores estrangeiros desacompanhados à França. 

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