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França/Periferia

Prefeito renuncia para denunciar descaso do Estado francês com periferias

Em novembro de 2012, o prefeito de Sevran, Stéphane Gatignon, fez greve de fome e acampou em frente à Assembleia Nacional francesa para pedir maiis verbas para as periferias.
Em novembro de 2012, o prefeito de Sevran, Stéphane Gatignon, fez greve de fome e acampou em frente à Assembleia Nacional francesa para pedir maiis verbas para as periferias. RFI / Christophe Carmarans

Stéphane Gatignon era prefeito de Sevran, na periferia de Paris, desde 2001. Ele pediu demissão nesta terça-feira (27) para denunciar “o desprezo do Estado pelas periferias”. Eleito pelo partido União de Democratas e Ecologistas, ele vinha denunciando há anos essa situação, chegou a fazer greve de fome para pedir mais verbas e disse que está “esgotado”.

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Stéphane Gatignon anunciou sua demissão durante o Conselho Municipal de Sevran na noite de terça-feira. Ele lembrou que é prefeito há 17 anos e que a função exige muito entusiasmo e dedicação. “Não tenho mais energia para exercer a função”, justificou.

Sevran tem 50 mil habitantes e é uma das cidades mais pobres da região de Seine-Saint-Denis, ao norte de Paris. Entre 30% a 35% dos moradores vivem abaixo da linha da pobreza; uma realidade que se repete em outras cidades periféricas. Gatignon diz que a política pública para as periferias é insuficiente. “Os governantes têm uma visão cada dia mais distante dos bairros e cidades populares. Esse mundo paralelo acomoda muita gente, mas isso não pode continuar”, declarou o ex-prefeito, que apoiou Emmanuel Macron nas eleições presidenciais de 2017.

Militância antiga

Os mandatos de Stéphane Gatignon, que começou na política no Partido Comunista, foram marcados por ações bombásticas. Defensor da descriminalização da maconha, ele pediu em 2011 a intervenção do exército para garantir a segurança em Sevran, após uma série de assassinatos ligada ao tráfico de drogas.

Um ano depois, o prefeito fez uma greve de fome e acampou em frente à Assembleia Nacional francesa, em Paris, para exigir mais verbas do Estado para as cidades pobres do país. Agora, sua demissão ocorre algumas semanas antes da publicação de um aguardado relatório sobre a renovação urbana das periferias.

#somostodosGatignon

Rapidamente, o gesto de Stéphane Gatignon se transformou em um movimento. Desde a noite de terça-feira, o hastag #noussommestousGatignon (somostodosGatignon) apareceu nas redes sociais e foi compartilhado por vários prefeitos, tanto de esquerda quanto de direita.

“Nós, prefeitos de periferia, conhecemos a violência, a miséria e a relegação. Nós sabemos lutar contra isso, mas não podemos tolerar o desprezo do governo”, escreveu Catherine Arenou, prefeita da Canteloup-les-Vignes, pelo conservador partido Os Republicanos.

Na manhã desta quarta-feira (28), vários prefeitos de Seine-Saint-Denis publicaram uma carta aberta ao presidente Emmanuel Macron alertando para as dificuldades que colocam em risco os projetos de renovação urbana na região. As obras essenciais foram orçadas em € 3 bilhões, mas os políticos asseguram que o financiamento não está garantido.

A falta de perspectiva de jovens nas periferias francesas voltou à tona neste momento em que a França homenageia as vítimas do último atentado terrorista no país. Radouane Lakdim, que matou 4 pessoas na última sexta-feira (23), cresceu e morava em um bairro popular de Caracassone. O ministro do interior francês, Gérad Collomb, reconheceu hoje que as periferias, onde “muitos jovens se desesperam”, são verdadeiro desafio para o país.

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