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Ensino/França

Polêmica lei de ensino paralisa Sciences Po na França

"Nem Seleção, nem Opressão", diz uma das faixas da manifestação pela convergência de "lutas" entre ferroviários e estudantes universitários em Nantes, em 7 de abril de 2018.
"Nem Seleção, nem Opressão", diz uma das faixas da manifestação pela convergência de "lutas" entre ferroviários e estudantes universitários em Nantes, em 7 de abril de 2018. REUTERS/Stephane Mahe

Quatro grandes universidades francesas se encontram completamente paralisadas, ocupadas por estudantes, professores e funcionários. Nesta quarta-feira (18), a mobilização chegou à universidade Sciences Po, conhecida por formar a elite política da França. O motivo? Protestos contra a polêmica lei ORE (Orientação e sucesso dos estudantes), também conhecida como lei "Vidal", o sobrenome da ministra do Ensino Superior do país, Frédérique Vidal.

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A nova lei promete reestruturar o acesso à universidade na França. Violentamente contestada por parte do corpo acadêmico e por estudantes universitários, seus opositores denunciam que uma medida se dirige contra o "interesse geral da universidade", segundo Pierre, estudante de 20 anos de Línguas Estrangeiras Aplicadas, na faculdade de Nanterre, entrevistado pelo jornal L'Humanité.

O projeto de lei se baseia em pré-requisitos escolares que poderão se tornar determinantes para o futuro acesso à universidade na França. Os alunos denunciam um sistema educacional que reproduz desigualdades sociais: "com a seleção e os pré-requisitos, vai ficar muito pior", aponta o jovem estudante. Segundo ele, se a lei "Vidal" for aprovada, são os "interesses do setor privado" que pautarão as universidades e o ensino superior francês.

"Dizem para a gente que se trata de garantir a diversidade e um lugar para todos [dentro das universidades], mas até os professores admitem que não é bem isso. Essa história de pré-requisitos é muito desigual. Eu morava a uma hora e meia do meu colégio, chegava em casa tarde, ia estudar tarde e acabava dormindo em sala de aula. Nestas condições, sob a nova lei, como minhas notas seriam julgadas?", pergunta o estudante.

Núcleo formador da elite política francesa

Em Paris, o protesto chegou à universidade Sciences Po, espécie de ponto de encontro da elite política do país, que formou o presidente Emmanuel Macron. O edifício principal, localizado no 7º distrito da capital, foi fechado pela manhã "por motivos de segurança" pela administração, devido à ocupação de parte do estabelecimento. "Os cursos que foram planejados foram reprogramados em outros lugares", segundo fontes da universidade.

Cerca de 70 estudantes ocupam pacificamente o saguão principal da escola depois de passarem a noite desta terça-feira (17), de acordo com a reitoria.

"Ocupamos a Sciences Po porque Macron saiu daqui, e não queremos nos tornar como ele", dizem os estudantes em um comunicado denunciando o "vasto empreendimento neoliberal e racista" que seria liderado pelo governo. "Eu apóio todas as lutas, existe um cansaço político geral", explicou Lounes, um estudante do segundo ano do mestrado da universidade.

"É uma pena", disse Paul, aluno do primeiro ano: "Muitas pessoas querem ir à escola, há uma maioria silenciosa que não quer isso." Em Rennes, os distúrbios também afetaram o Instituto de Estudos Políticos, onde um anfiteatro foi bloqueado na noite de terça-feira.

Seis reitores de grandes universidades pedem abertura de diálogo com Macron

Seis reitores de grandes universidades francesas solicitaram nesta quarta-feira ao governo francês que "abra rapidamente as negociações com todos os interessados" do movimento de protesto nas faculdades, em um editorial publicado nesta quarta-feira (18) no site da revista L'Etudiant,

São eles, respectivament: Joël Alexandre (Universidade de Rouen-Normandie), Olivier David (Rennes-2), Nathalie Dompnier (Lumière-Lyon-2), Rachid El Guerjouma (Le Mans), Yves Jean (Poitiers) et Hélène Velasco (Bordeaux-Montaigne).

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