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Cinema/racismo

Atrizes negras francesas vão denunciar em Cannes falta de representatividade no cinema

A atriz Aïssa Maïga.
A atriz Aïssa Maïga. DR

Enquanto no Brasil a polêmica cresce em torno de Segundo Sol, nova novela da Globo, ambientada na Bahia mas com pouquíssimos negros no elenco, um grupo de atrizes negras e mestiças promete levantar, em Cannes, a questão da (pouca) representatividade negra nos cinemas.

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A novela de João Emanuel Carneiro, prevista para começar dia 10, tem 26 atores no elenco, sendo que apenas três deles são negros. A trama se passa numa Bahia que deve ser diferente da real, que tem 76% de população negra.

Na França, 16 artistas assinam um livro coletivo, Noire n’est pas mon métier, um título cheio de jogos de palavras, que pode significar algo como “ser negra não é meu trabalho”. No próximo dia 16, elas vão subir a escadaria vermelha mais conhecida do mundo, a do Festival de Cinema de Cannes, para promover o livro e a questão negra.

O livro reúne piadas de gosto duvidoso, facilmente descambando para o racismo, e os clichês que elas ouvem no exercício da profissão de atriz.

“Ainda bem que você tem traços finos”. “Você fala africano?”. “Você é negra demais para fazer papel de mulata”. Essas frases foram lembradas por Nadège Beausson-Diagne, que trabalhou em Bienvenue les Ch’tis, campeão de bilheteria da França.

Há também testemunhos da ex-miss França Sonia Rollad e da atriz Eye Hadara, indicada no último César (o principal prêmio do cinema francês) como revelação por seu trabalho em Assim é a vida (Le Sens de la Fête), grande sucesso recente de público e crítica.

Clichês ultrapassados

“O imaginário das produções francesas ainda está repleto de clichês ultrapassados”, explica a atriz Aïssa Maïga, que teve a ideia do livro. “Os avanços são muito lentos”, diz. “Nossa presença nos filmes franceses ainda está frequentemente ligada à necessidade imperativa de se ter um negro no elenco ou um elemento de anedota”.

As ofertas de papeis raramente sobem a escala social mais humilde, de subúrbio, de criminalidade, raramente como médicas ou advogadas.

Sobre expor a questão no local mais simbólico do cinema francês, Maïga diz: “É importante desafiar o público francês e a mídia estrangeira, pois a França é um país de muita visibilidade”.

A questão da representatividade negra no cinema também vai ser tema da masterclass, dia 10 de maio, de Ryan Coogler, diretor de Pantera Negra (Black Panther), primeiro filme de super-heróis negros da Marvel, um blockbuster de bilheteria, já tendo desbancado até Titanic.

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