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França / Emmanuel Macron / Ecologia / Política

Emmanuel Macron, um presidente falsamente ecológico

O presidente americano Donald Trump e o francês Emmanuel Macron plantam uma árvore na Casa Branca.
O presidente americano Donald Trump e o francês Emmanuel Macron plantam uma árvore na Casa Branca. REUTERS/Joshua Roberts

Após um ano no poder, as políticas ambientais de Emmanuel Macron ainda não convenceram. Para a oposição, a nomeação como ministro de Nicolas Hulot, conhecido por seus programas de TV sobre o meio-ambiente, não passou de uma estratégia para desviar o foco de poderosos lobbies.

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Há um ano, o presidente francês se tornava uma das grandes sensações das redes sociais. Ao declarar “Make our planet great again” (Tornar nosso planeta grande novamente) - Macron conseguiu se impor como um dos líderes na luta contra o aquecimento global. A época, a frase foi uma resposta ao anúncio de Trump de que iria se retirar do Acordo de Paris sobre o clima. O magnata havia criado o slogan de campanha “Make America great again” (tornar a América grande novamente).

Presidente do mundo financeiro

Desde então, para muitos opositores, pouco se viu. As críticas mais pesadas chegam dos movimentos ecológicos. “Quando começou a campanha, Macron tinha o programa menos ecológico. Isso mostra como o meio-ambiente é utilizado somente como uma forma de marketing pessoal do presidente” critica Sandra Regol, porta-voz do partido EELV, Europe Ecologie Les Verts, o partido verde europeu. Ela afirma que Macron identificou uma oportunidade política. “Ele percebeu que poderia se diferenciar dos outros no cenário mundial dizendo: eu sou o defensor do planeta” afirma a porta-voz.

“ Por ser jovem, ele é teoricamente mais próximo de nossas lutas. Mas, olhando mais de perto, vemos que ele só pensa no mundo financeiro” disse também Julien Bayou, conselheiro da região parisiense e também porta-voz do EELV. “O principal objetivo de Macron é atrair os profissionais do mercado financeiro que estão saindo de Londres por causa do Brexit. É exatamente o oposto da ecologia! ”completou Bayou.

Partido verde prejudicado

Inicialmente visto como um ponto positivo, a nomeação de Nicolas Hulot como ministro do meio ambiente acabou prejudicando o partido verde francês. A chegada do célebre apresentador da televisão francesa, que construiu a carreira em torno da questão ecológica, teve um efeito devastador para o EELV. Durante a presidência de François Hollande, o partido contava com 18 deputados. Agora, nenhum. “Quando comecei minha campanha para as eleições legislativas, as pessoas me diziam que com Hulot no governo, não havia mais com o que se preocupar. Mas esqueceram que ele precisaria de apoio na Assembleia. Hoje tenho vontade de dizer que é preciso salvar o soldado Hulot” afirma Julien Bayou, fazendo um trocadilho com o título do filme "O resgate do soldado Ryan" .

Nicolas Hulot, ministro francês da transição ecológica e solidária
Nicolas Hulot, ministro francês da transição ecológica e solidária AFP/Fabrice Coffrini

Ocupando o cargo de Ministro da transição ecológica e solidária, Nicolas Hulot parece não ter muito sucesso nas medidas tomadas até aqui. “O primeiro decreto assinado por Hulot tratava de um assunto importante para ele: a caça aos lobos. E no documento constava exatamente o oposto do que ele pregava: a ordem de matar quatro lobos a mais por ano”

O ministro também encontrou dificuldades em dar sequência na lei que pretende diminuir de 75% a 50% a produção de energia vinda de centrais nucleares até 2025. Hulot já anunciou que a data não é realista. O texto sobre o fim da produção de energia fóssil no território francês também decepcionou o partido EEPV. Se por um lado a exploração do gás e do petróleo no território nacional francês precisa ser banido até 2040, por outro, o grupo Total conseguiu negociar exceções na Guiana Francesa.

O governo

Mesmo se o governo admite que não há uma revolução na maneira como o assunto “ecologia” está sendo tratado, a maioria presidencial lembra que só é possível julgar Macron e Hulot após o fim do mandato de 5 anos. Entre as medidas que agradam tanto a situação quanto a oposição, está a meta de zerar o número de veículos a combustão até 2040.

Após um longo período sem tocar oficialmente no assunto, Emmanuel Macron voltou a falar do aquecimento global durante a última visita oficial aos EUA. Discursando para o congresso americano, o presidente francês afirmou, em inglês, que os Estados Unidos vão voltar a apoiar o Acordo de Paris “já que não existe um planeta B”. Apesar da fala, diversas ONG’s denunciaram o fato de que as promessas feitas pelos países mais ricos de ajudar os países do sul, não foram honradas. Além disso, as estatísticas da França em matéria de ecologia só pioraram desde 2015, quando aconteceu a COP 21 – Conferência do Clima de Paris. Esse contraste entre os discursos e os atos continua sendo a principal crítica feita ao governo Macron.

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