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Imprensa

Número de mulheres alcoólatras aumenta na França

Consequências do alcoolismo são mais graves para as mulheres, alerta jornal Libération.
Consequências do alcoolismo são mais graves para as mulheres, alerta jornal Libération. DR

O jornal Libération desta quarta-feira (9) aborda um problema que diz ser desdenhado pelas autoridades sanitárias na França: o alcoolismo feminino. "As mulheres também brindam" é a manchete de capa do diário, que explica que as francesas bebem cada vez mais álcool, inconscientes de sua vulnerabilidade.

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"As mulheres bebem demais e cada vez mais, mas as autoridades não parecem se preocupar. As consequências são, no entanto, ainda mais graves para elas do que para os homens", alerta Libération. O jornal explica que a tendência do aumento do alcoolismo entre as mulheres é registrada não somente na França, mas em geral e, principalmente, nos países desenvolvidos.

No entanto, Libé lembra que, ao contrário do alcoolismo masculino, entre as mulheres, o vício é registrado principalmente nas classes sociais mais altas. Existe também disparidade em relação ao ápice do consumo de álcool entre os sexos. Os homens bebem mais em torno dos 18 anos; as mulheres, em torno dos 27 anos.

Entrevistado pelo diário, o médico especialista em dependência em álcool e outras substâncias Michel Reynaud explica que um quarto de seus pacientes são mulheres e que o problema do alcoolismo feminino está cada vez mais banalizado. A emancipação das mulheres, seria, segundo ele, um fator importante deste fenômeno. Se antes as francesas tinham vergonha de se embebedarem, hoje o consumo de álcool é justificado pelo stress do trabalho, o excesso de tarefas em casa, além de problemas vividos durante a infância, aponta o especialista ao Libération.

Mulheres são mais frágeis ao álcool

O jornal ressalta que as mulheres correm riscos específicos diante do consumo excessivo de álcool. "O cérebro, o coração e o fígado das mulheres são muito muito mais frágeis" do que os dos homens, escreve Libé. Além disso, recentemente os pesquisadores descobriram que o consumo de bebidas alcóolicas, mesmo em baixas quantidades, aumenta o risco de câncer de mama.

O que fazer para lutar contra esse problema?, questiona o jornal, indicando que € 450 milhões são gastos em publicidade e marketing de bebidas alcólicas por ano na França, "100 vezes mais do que as campanhas de prevenção".

Além disso, há também o forte lobby do vinho no país. O setor é segundo mais forte em exportação e tem todo o apoio do governo. O próprio presidente francês, Emmanuel Macron declarou recentemente que consome duas taças de vinho por dia e que isso traz benefícios a sua saúde.

Para Karine Gallopel-Morvan, especialista em marketing e lobby da indústria do álcool e do tabaco, a situação é dramática. Ela ressalta que, diferentemente do cigarro, não há campanhas de prevenção contra o álcool. As políticas públicas se limitam a exibir mensagens ininteligíveis nas garrafas de bebidas ou publicidades, embora, lembre, "o alcoolismo é a segunda causa de mortalidade que pode ser evitada na França".

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