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Cultura

Por enquanto, nenhum favorito para a Palma de Ouro de Cannes

Áudio 05:05
Javier Bardem, Asghar Farhadi, Penélope Cruz e Ricardo Darín em Cannes (9/5/18).
Javier Bardem, Asghar Farhadi, Penélope Cruz e Ricardo Darín em Cannes (9/5/18). REUTERS / Jean-Paul Pelissier

O Festival de Cinema de Cannes está quase na metade e por enquanto nenhum concorrente à Palma de Ouro fez unanimidade entre os críticos. Mas muita coisa já aconteceu nesses primeiros dias.

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O Festival Internacional de Cinema de Cannes acontece em vários mundos paralelos. O mais visível é o do glamour, das escadarias vermelhas, das estrelas em traje de gala. Diante do Palácio dos festivais, o público se aglomera antes das sessões principais, esperando a aparição mágica das personalidades.

O batalhão de fotógrafos se acotovela por um clique perfeito, um sorriso. Seguranças, militares e policiais também pululam nas ruas de Cannes. Pela Croisette, que é o calçadão ao longo da baía, se vê de tudo, mulheres muito maquiadas, jovens sonhando em serem descobertas, turistas e muitas câmeras.

No mercado de filmes, distribuidores e produtores tem reuniões, fecham negócios, assinam contratos. Paralelamente, hordas de jornalistas fazem filas sob um sol não tão escaldante este ano e lotam as várias sessões simultâneas da competição oficial, da Quinzena dos Realizadores e outras mostras paralelas.

Don Quixote está vivo!

Havia uma pedra no meio do caminho de Cannes, mas ela já foi retirada. A justiça permitiu o encerramento do festival com The Man Who Killed Don Quixote, projeto que data de quase 20 anos do ex-Monty Python Terry Gilliam.

Adam Driver e Jonathan Pryce no filme The Man Who Killed Don Quixote, que vai encerrar o Festival de Cannes.
Adam Driver e Jonathan Pryce no filme The Man Who Killed Don Quixote, que vai encerrar o Festival de Cannes. Alan Amato

Uma disputa com o produtor português Paulo Branco quase bloqueou a exibição, deixando todo o festival em suspense. Uma decisão final sobre o destino do final será tomada em junho. Mas Gilliam, que passou mal no final de semana e chegou a ser internado, já garantiu que vai estar presente no dia 19 em Cannes. Todos esperam por isso.

Temperatura morna

Enquanto isso, a competição continua, sem favoritos claros por enquanto. A abertura foi com o aguardado Todos Lo Saben, do premiado iraniano Asghar Farhadi, com Penélope Cruz e Javier Bardem. Os críticos ficaram divididos entre melodrama e genialidade. Mas Bardem já surge como bem cotado para um prêmio de interpretação.

Lugar vazio do diretor do filme Leto, Kirill Serebrennikov, em prisão domiciliar na Rússia.
Lugar vazio do diretor do filme Leto, Kirill Serebrennikov, em prisão domiciliar na Rússia. REUTERS / Jean-Paul Pelissier

Entre outros filmes já exibidos, há Leto (verão), do russo Kirill Serebrennikov, atualmente em prisão domiciliar, acusado de desvios de fundos, que ele nega. O filme conta a trajetória de músicos em Leningrado, nos anos 1980, que tentam burlar a repressão e buscam, ao mesmo tempo, a liberdade criativa. O longa traz muitas referências musicais da época, do movimento punk ao New Wave, passando por Velvet Underground.

Novato egípcio

Yomeddine, filme do egípcio A.B. Shawky, conta a história de Beshay, um leproso de 40 anos, que vive como catador em um lixão. Quando perde a mulher, sente o vazio da vida e resolve ir atrás da família que o abandonou num leprosário quando criança. Ele é acompanhado na aventura por Obama, um menino órfão de dez anos que se apega a Beshay. Eles saem de carroça puxada por uma mula e no percurso vão perdendo dinheiro, carroça e mula. Mas eles não desistem. A raridade do filme é ser um primeiro longa logo candidato à Palma de Ouro. O tema não é uma novidade, tanto que lembra Central do Brasil. Os críticos não gostaram do tom açucarado.

Scorsese, de Niro e Keitel soltos em Cannes

Na Quinzena dos Realizadores, festival independente nascido no simbólico maio de 1968, comemora 50 anos e para comemorar, organizou uma grande homenagem ao cineasta americano Martin Scorsese, que veio a Cannes pela primeira vez em 1974, com Caminhos Perigosos (Mean Streets). “Eu vim com Robert de Niro e Harvey Keitel. Éramos desconhecidos, pudemos circular livremente, foi fantástico”.

Martin Scorsese, homenageado nesta quarta-feira (9) na Quinzena dos Realizadores de Cannes.
Martin Scorsese, homenageado nesta quarta-feira (9) na Quinzena dos Realizadores de Cannes. REUTERS/Regis Duvignau

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