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França/Medicina

Médicos franceses conseguem regenerar traqueia com tecido da aorta

O cirurgião francês Emmanuel Martinod, no hospital Avicenne em Bobigny, na região parisiense
O cirurgião francês Emmanuel Martinod, no hospital Avicenne em Bobigny, na região parisiense AFP

Um grupo de médicos franceses conseguiu reconstituir a traqueia e os brônquios de 12 pacientes utilizando tecidos da aorta, a maior artéria do sistema circulatório, de doadores. Os transplantes foram realizados entre 2009 e 2017, mas o anúncio foi feito neste domingo (20) pelo organismo que administra os hospitais públicos franceses (AP-HP). O estudo foi apresentado durante um congresso em San Diego, nos Estados Unidos.

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A operação beneficiou pacientes sem outras opções de tratamento, que tiveram câncer ou outras doenças. Segundo o especialista Emmanuel Martinod, chefe do setor de cirurgia torácica do hospital Avicenne de Bobigny, em Seine Saint Denis, na região parisiense, “ o procedimento evitou a retirada completa do pulmão de alguns pacientes que sofriam de lesões nos brônquios em evolução”. Ele ressalta que “os órgãos artificiais vão revolucionar a Medicina”.

No total, 20 pacientes foram selecionados para a pesquisa. Sete beneficiaram de um tratamento tradicional, e dos 13 que realizaram a cirurgia, apenas um morreu menos de 90 dias depois do procedimento. “A vantagem desse tipo de tecido é que ele induz poucas reações imunológicas”, ressalta o médico francês em um comunicado divulgado pelo hospital. “A grande maioria dos pacientes respira graças ao transplante, um resultado encorajador “, declara.

As aortas foram retiradas de doadores mortos e conservadas a uma temperatura de 80 graus abaixo de zero. Em seguida, o tecido foi implantado no local da traqueia, retirada anteriormente, com o apoio de um “stent”, um tubo metálico. A maior parte dos transplantados pôde retirar essas pequenas próteses cerca de um ano e meio depois.

“Foi surpreendente. Primeiro houve uma regeneração do epitélio, a camada mais superficial da pele. Depois, a aorta se transformou em traqueia, assegurando as funções respiratórias”, explica o médico. “Não é mágica, mas ninguém acreditava que isso pudesse acontecer”, descreve.

Paciente voltou a correr

Um dos casos mais extraordinários é o de Eric Volery, 40 anos, transplantado em 2011. Vítima de uma estenose traqueal, doença que provoca o estreitamento do órgão, ele foi submetido a várias cirurgias, mas a única solução encontrada foi a traqueostomia – um orifício feito cirurgicamente na garganta que possibilita a respiração. “Eu estava de licença-saúde. Só podia falar colocando a mão na garganta, ou seja, sem respirar”, conta. “Eu me lembro de um médico renomado em Marselha, que me disse: as namoradas e o trabalho, senhor, acabou.”

O médico estava enganado. Quatro anos depois do transplante, sua traqueia se regenerou e pôde retirar o stent. Sua saúde é perfeita, e hoje ele é capaz de correr até 50 minutos. “Hoje a comunidade científica está convencida que é preciso utilizar nosso organismo, que é algo maravilhoso e capaz de se regenerar sozinho”, destaca o especialista francês.

 

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