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Presidência francesa está sob pressão após primeiras sabatinas na CPI sobre assessor de Macron

O Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.
O Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa. Eric Feferberg / AFP

O escândalo envolvendo o ex-colaborador do presidente francês, Emmanuel Macron, que agrediu manifestantes, continua estampado nas primeiras páginas dos jornais franceses desta terça-feira (24). Depois dos primeiros depoimentos na CPI que investiga o caso, o Palácio do Eliseu está fragilizado.

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“O Eliseu está sob pressão”, indica Le Figaro em sua manchete de capa. Sabatinados na segunda-feira (23) pela Comissão de Inquérito da Assembleia Nacional francesa, o ministro do Interior, Gérard Collomb, e o secretário de Segurança da Paris, Michel Delpuech, não esclareceram todas as dúvidas que ainda pairam sobre o caso Alexandre Benalla.

Collomb e Delpuech responsabilizaram o diretor de gabinete do presidente francês, Patrick Strzoda, pela crise e, hoje, todas as atenções se voltam para Emmanuel Macron, escreve o jornal conservador. A credibilidade do presidente está arranhada, devido ao tratamento inadequado e a sanção inicial derisória de seu gabinete contra o ex-colaborador, filmado agredindo dois jovens manifestantes no Primeiro de Maio, usando ilegalmente uma braçadeira e um rádio da polícia.

Em seu editorial, Le Figaro prevê que Macron “terá muitas dificuldades para restaurar sua autoridade, abalada por essa história sinistra” e que já provocou uma derrota: a suspensão da votação da reforma constitucional, uma de suas importantes promessas de campanha.

Macron na “linha de mira”

“Caso Benalla, o incêndio não foi apagado e Macron continua na primeira linha de mira”, avalia Aujourd'hui en France. O presidente admitiu a colaboradores que há "anomalias" e pediu ao secretário-geral do Eliseu uma reorganização dos serviços da presidência.

O chefe de Estado "dá a impressão de administrar essa crise como uma empresa, mas ele não poderá continuar a negar que ela é, antes de mais nada, política”, critica o diário. Os representantes da maioria no Parlamento pedem uma demissão, ou um remanejamento, para tentar acabar com a crise, mas por enquanto o Palácio do Eliseu resiste.

Bode expiatório

Les Echos, que é o único a não destacar o escândalo em sua primeira página, abre espaço para o chefe gabinete de Macron, Patrick Strzoda, que será ouvido nesta terça-feira pela CPI da Assembleia sobre o caso Benalla. Strzoda, “um funcionário público exemplar que esta há dez semanas de se aposentar, encerra sua carreira com esse erro de apreciação ao sancionar o violento colaborador do Eliseu apenas com uma suspensão de 15 dias”. Les Echos estima que o chefe de gabinete corre o risco de ser o bode expiatório dessa história e seja demitido pela presidente para tentar acabar com a crise.

“A hora é grave”, aponta Libération em seu editorial. Macron, que não se pronunciou publicamente até agora sobre o caso, cancelou inclusive uma viagem para acompanhar uma etapa da Volta da França de bicicleta nesta quarta-feira (25) que seria uma oportunidade para acabar com sua imagem de "presidente dos ricos". O escândalo Benalla, independentemente do nome que será escolhido como bode expiatório, atinge “Macron em cheio”. O presidente todo poderoso, que até agora ditava a agenda e as reformas, é coisa do passado, afirma o jornal progressista.

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