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Um pulo em Paris

Férias de políticos viram arma de comunicação na França

Áudio 09:16
Emmanuel Macron, junto com a primeira-dama Brigitte (e), recebeu a primeira-ministra britânica Theresa May (d) no Forte de Bregançon, a residência de férias tradicional dos presidentes franceses.
Emmanuel Macron, junto com a primeira-dama Brigitte (e), recebeu a primeira-ministra britânica Theresa May (d) no Forte de Bregançon, a residência de férias tradicional dos presidentes franceses. Sebastien Nogier/Pool via REUTERS

Os franceses estão em plenas férias de verão, e até os políticos fazem uma pausa de 15 dias. No entanto, esse momento de descanso muitas vezes pode ter um impacto na imagem dos dirigentes e muitos não hesitam em instrumentalizar a escolha de seu destino de férias.

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Tradicionalmente, desde os anos 1960 os presidentes franceses passam suas férias de verão no Forte de Bregançon, uma propriedade do Estado, situada às margens do mar Mediterrâneo. A escolha do local, a cerca de duas horas de avião da capital Paris, é uma maneira que os líderes encontraram para descansar, sem necessariamente deixar o país.

Isso porque, os políticos na França têm a recomendação implícita de não viajarem para destinações muito afastadas durante as férias. Em caso de emergência, tanto o presidente quando os ministros devem podem estar de volta na capital em apenas algumas horas.

No caso dos chefes de Estado, poucos foram os que ousaram quebrar a tradição do Forte de Bregançon. Um deles foi o ex-presidente Nicolas Sarkozy, que em um dos verões durante seu mandato, em 2007, decidiu passar férias nos Estados Unidos. Uma escolha bastante criticada, pois Sarkozy já alimentava a imagem de um presidente que gostava de ostentar bens materiais. E o fato de viajar para uma estação balneária frequentada por milionários em New Hampshire, perto de Boston, só piorou as coisas. 

Piscina gigante provoca polêmica

Diante das críticas suscitadas na época, seus sucessores aprenderam a lição. François Hollande, que cultivava a imagem de uma presidente “normal”, passou todas as suas férias na França, e chegou a ser fotografado em um quiosque na praia, no meio do povo, de bermuda e camiseta. Mas o que deveria ser visto como um sinal de modéstia, acabou arranhando ainda mais a imagem de Hollande, já enfraquecida pela crise econômica.

Esses exemplos mostram que a pausa do verão pode ter um impacto direto na popularidade de um chefe de Estado. Por essa razão, a maioria dos presidentes aproveita a estadia no Forte de Bregançon para sair às ruas, cumprimentando a população, com se estivessem em campanha. Até Emmanuel Macron, avesso ao contato direto com os franceses nos últimos meses, já deu uma voltinha pelas ruas para sentir a temperatura (de sua popularidade).

No entanto, o presidente está relativamente discreto durante essas primeiras férias como chefe de Estado e essa foi sua única saída do forte desde 3 de agosto, quando começou o recesso. Principalmente depois de ter circulado a notícia de que ele mandou construir uma enorme piscina na propriedade. Alguns dizem que a obra foi feita para que o presidente não tivesse mais que ir é até a praia, evitando encontrar a população. Outros se questionam sobre o custo dessa piscina para os cofres públicos.

Chirac Nu

As férias de verão dos presidentes franceses também geram situações pitorescas. Como em 2001, quando o então chefe de Estado Jacques Chirac apareceu na sacada da residência de verão fumando um cigarro, como veio ao mundo. Um fotógrafo, que espiava de longe, captou a cena. Mas na época, os paparazzi pareciam respeitar um pouco mais as autoridades – ou simplesmente ficaram com medo das consequências – e nenhuma revista de celebridades ousou publicar a foto do presidente Chirac nu.

Mesmo assim, a história virou piada e sempre vem à tona. Como há duas semanas, quando Macron recebeu a primeira-ministra britânica Theresa May no Forte de Bregançon. Durante a visita, diante das câmeras, ele fez piada ao lembrar do episódio e disse que uma das janelas da residência era “muito perigosa”.

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