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Imprensa / França / Migrantes / acampamentos

“Solidariedade de cidadãos faz a diferença”, diz voluntária que ajuda migrantes em Paris

Destaque no jornal francês La Croix para situação precária de migrantes que vivem nas ruas da capital francesa.
Destaque no jornal francês La Croix para situação precária de migrantes que vivem nas ruas da capital francesa. Fotomontagem RFI

Mais de seiscentos migrantes vivem hoje nas ruas de Paris segundo apuração do jornal La Croix. Até o fim de junho, eles viviam em acampamentos improvisados que foram desmantelados pela polícia. Desde então, passaram a dormir em locais diferentes todas as noites. A situação que já era complicada, ficou ainda mais precária. Para ajudar, associações e cidadãos comuns preparam diariamente milhares de refeições.

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“Na maioria das vezes, são cidadãos comuns e pequenas associações desconhecidas que mais ajudam”, afirma Houda, uma das voluntárias que organiza a distribuição das refeições. Ela denuncia a falta de ajuda da prefeitura de Paris que pouco fez para substituir o trabalho do Coletivo Wilson de Solidariedade aos Migrantes, que deixou de distribuir alimentos há alguns meses. Houda conta que a associação Aurore foi acionada pela prefeita para distribuir o café da manhã, mas ressalta que isso não é o suficiente.

Outra associação que ajuda a distribuir alimentos é o “Restos du Coeur” (Restaurantes do Coração, em português), uma famosa instituição francesa criada por um humorista nos anos 1980 que virou referência no setor. Mas Houda garante que é o trabalho de desconhecidos que traz um pouco de conforto para os milhares de migrantes.

Voluntário prepara mais de 800 refeições por dia

Quando os 500 pratos de comida distribuídos pelo “Restos du Coeur” terminam, uma outra fila se forma em frente a um furgão amarelo. O veículo é do jovem Basidi, que mora na periferia de Paris e todos os dias prepara 800 refeições.

A voluntária Houda lembra que se alimentar é só uma das preocupações dos migrantes em situação de rua em Paris. O maior problema é conseguir um canto para dormir. Desde o mês de junho, a polícia recebeu a ordem de não deixar nenhum acampamento se formar. Com isso, diariamente acordam os migrantes para que não fiquem dormindo juntos em via pública.

Chutes de policiais

Fayçal, que veio do Afeganistão, conta que todas as noites é difícil encontrar uma calçada para dormir. O jovem de 25 anos conta que as autoridades não dão trégua, e mesmo quando consegue cochilar em um canto, é acordado por chutes de policiais antes das seis da manhã.

A prefeitura afirma que intensificou o trabalho social e acolheu 3500 migrantes em ginásios e em Centros de Acolhimento e Estudo de Situação (CAES). Mas a voluntária Houda afirma que essas medidas são apenas temporárias e muitos acabam voltando para as ruas da capital francesa. Enquanto isso, ressalta o jornal La Croix, centenas de migrantes continuarão dormindo entre os ratos de Paris.

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