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França/manifestações

França enfrenta novas manifestações contra alta do combustível

Manifestantes "coletes amarelos" bloqueiam a estrada A10 perto de Bordeaux, na França
Manifestantes "coletes amarelos" bloqueiam a estrada A10 perto de Bordeaux, na França NICOLAS TUCAT / AFP

Vários protestos ocorrem no país desde sábado (14), causando novas perturbações no tráfego. Nesta segunda-feira (19), novas manifestações estão sendo organizadas no centro da França. A circulação de carros continua comprometida em algumas regiões.

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Estradas e pedágios continuam afetados pela mobilização, que se manteve ativa durante toda a noite de domingo (18) para segunda-feira (19). Os protestos são organizados por cidadãos franceses comuns, sem apoio de sindicatos e apoios políticos, que barram as rodovias e denunciam a política do governo de aumento de impostos e a queda do poder aquisitivo. Nesta segunda-feira de manhã, segundo a empresa de petróleo Total, dois depósitos foram bloqueados em Vern, perto de Rennes, no oeste do país, e Fos-Sur-Mer, no sudeste.

Manifestantes também ergueram novas barreiras em Bordeaux, Arles e estradas que levam aos depósitos de combustíveis. No norte de Toulouse, no sul da França, Sébastien, técnico da aeronáutica e manifestante, disse que ficou toda a noite perto do depósito de Lespinasse para impedir o acesso. Vários incidentes foram registrados na noite de domingo para segunda-feira.

Em Calais, no norte, um motorista inglês e um caminhoneiro australiano foram detidos depois de forçar uma barreira e atingir os manifestantes. No sábado, cerca de 290 mil pessoas manifestaram em 2034 locais. Uma pessoa morreu atropelada e pelo menos 409 ficaram feridas.

O primeiro-ministro Edouard Philippe disse neste domingo (18) que manterá o projeto do governo, que visa diminuir as emissões de CO2 e a poluição. Na França, mais de 60% do preço do combustível vem dos impostos. A partir de janeiro de 2019, o diesel irá sofrer um aumento de € 0,065 (R$ 0,28). A gasolina terá um aumento de € 0,029 (R$ 0,12).

O aumento integra o orçamento francês do ano que vem, e visa incitar uma mudança de comportamento nos hábitos dos franceses, segundo declarou Elisabeth Borne, ministra dos Transportes. Um argumento que irritou parte da população francesa que vive longe das grandes cidades.

“É preciso desintoxicar a França do petróleo”

O porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, disse nesta segunda-feira ao canal BFM TV que “ouviu o sofrimento sincero de milhares de franceses cansados das dificuldades, que se acumulam”, declarou. Ao mesmo tempo, disse que o aumento dos impostos sobre o diesel e a gasolina são a “boa decisão.” Segundo ele, “é preciso desintoxicar a França do petróleo.”

Na tentativa de apaziguar os ânimos, o premiê francês anunciou na quarta-feira passada um plano de € 500 milhões para a compra de veículos “limpos”. “Compreendemos o descontentamento dos franceses que moram longe das grandes cidades, que há muito tempo foram esquecidos”, acrescentou a ministra do Transporte.

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