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Meio Ambiente

Franceses se preparam para o fim de itens plásticos do cotidiano

Áudio 05:00
Uma bolha transparente feita de algas marinhas serve para guardar qualquer líquido para beber.
Uma bolha transparente feita de algas marinhas serve para guardar qualquer líquido para beber. facebook.com/oohowater

A partir de 2020, os franceses terão que se acostumar com uma vida com menos plástico. Diversas proibições de uso de produtos do cotidiano foram aprovadas em 2018, fazendo de 2019 um grande ano para a transição ecológica na França. Canudos, copos, cotonetes, colheres, garfos, a lista de itens não para de aumentar.

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Empresas conhecidas pelo uso excessivo do material, responsável por grande parte da poluição marítima, começaram a anunciar medidas relacionadas às novas legislações, como é o caso do McDonald’s. A gigante americana do fast food publicou um comunicado onde aponta que mais de 90% das embalagens usadas em suas lojas são feitas de papel ou cartolina. O objetivo da empresa é acabar com a distribuição de canudos e itens plásticos já em 2019, reduzindo 400 toneladas por ano, de acordo com o documento.

O principal problema dos canudinhos é o fato de que eles não se reciclam e, em seguida, aparecem nos oceanos. Então, encorajamos as pessoas a utilizarem alternativas, se elas precisam ou gostam de beber de canudinho, usem canudos de bambus, que se lavam com água quente e são reutilizáveis”, afirma Mounia El Kotni, co-fundadora da organização “Abaixo aos canudos”, que promove novas formas de aproveitar uma bebida sem os itens plásticos.

Canudos feitos de bambu da associação "bas les pailles" acabar com os canudos de plásticos.
Canudos feitos de bambu da associação "bas les pailles" acabar com os canudos de plásticos. Captura de vídeo

Ela lançou em 2018 o Dia Mundial sem Canudos, para chamar atenção sobre os problemas ligados aos produtos. A ativista lembra que empresas, como é o caso do McDonalds, estão sempre fazendo promessas, mas às vezes custam a concretizá-las. “O que queremos, com o Dia Mundial sem Canudos, é chamar a atenção dos restaurantes, dos cafés e dos bares, para o consumo de canudinhos plásticos. Queremos sensibilizar sobre esse assunto e questionar se é verdadeiramente útil colocar um canudo em cada bebida, sendo que algumas pessoas preferem até beber sem esse objeto. Além do mais, fica mais barato não utilizá-los”, declara.

“Às vezes, os donos de bares são mais intransigentes. Alguns nos dizem que vão mudar de hábito rapidamente, mas levam bastante tempo”, ressalta Mounia El Kotni. “Temos esperança, porque vemos exemplos no mundo. Os canudinhos estão em extinção. Descobrimos que o Quênia vai proibir o uso desse produto, assim como a Costa Rica, que pretende acabar com toda forma de plástico até 2020. Na França, como as sacolas, os cotonetes e as vasilhas, esperamos que os canudos se tornem um objeto do passado.”

Bolha de algas marinhas

Opções de substituição não faltam. O francês Pierre Paslier, da empresa Skipping Rocks Lab, criou, com dois colegas, uma bolha feita de algas marinhas capaz de conter uma quantidade limitada de água. Sua invenção pode substituir as garrafas e os copos plásticos.

“É como uma fruta, um pouco transparente, que contém água e que pode conter outros líquidos. A ideia é substituir o uso de garrafas e de copos plásticos por um material flexível, mais fácil de se biodegradar. A água que vem dentro não tem gosto, mas podemos colocar outras coisas, como cosméticos, molhos, como ketchup, e várias outras coisas. Nosso objetivo é encontrar locais onde usamos muito plástico por períodos extremamente curtos, menos de cinco minutos, e não há uma verdadeira razão de produzir um lixo que levará centenas de anos para desaparecer”, conta Pierre.

Ele afirma que a ideia é escapar do modelo de produção capitalista das garrafas plásticas, focando em uma produção local. “Na realidade, é um recipiente com um formato completamente diferente daquilo que conhecemos. É algo puro, que se dá muito bem com a água, que é um líquido muito simples, e não merece ficar cercado de plástico. Não queremos reproduzir a indústria do plástico, com enormes usinas que produzem para um continente ou país específico”, afirma.                             

Grandes projetos, pequenas ações

Pierre lembra que a ideia é ter algo parecido com uma máquina de café, bem compacta, que permite a produção local das embalagens de algas marinhas: “Isso permite ter um circuito mais curto e é uma solução que tem menos impacto no meio ambiente, já que exige menos transporte. Temos um mercado grande, como festivais, maratonas, eventos ao ar livre. O que é assustador é que o plástico, hoje em dia, termina no nosso intestino, porque está presente nos peixes, na água da torneira... Nós propomos algo natural para comer: são algas, que não produzem resíduos.”

Enquanto grandes projetos como o de Pierre não chegam ao alcance de todos, pequenas ações também podem ter um impacto, como mostra a gerente de bar Anaís, que proíbe o uso dos canudos durante seu horário de trabalho. “Eu não ofereço canudinhos aos clientes. Todos viram um vídeo de uma tartaruga que tinha um canudo preso no nariz, incluindo minha chefe, e ela entende completamente meu lado ecológico. A maior parte dos clientes não usa canudos, eles nem se dão conta de que não os utilizo”, disse Anaís. 

Com suas proibições de produtos plásticos do cotidiano, a França deu o exemplo a ser seguido para as próximas gerações. 2019 será, portanto, um grande ano de transformações no país.

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