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“Não quero criar um pequeno poluidor”: convicção ecológica faz franceses desistirem de ter filho

Militantes acham que ter um filho pode piorar situação no planeta
Militantes acham que ter um filho pode piorar situação no planeta pixabay

No começo de outubro de 2018, a Agência France Presse (AFP) publicou no Twitter um controverso conselho para “diminuir as emissões de carbono” no planeta: ter menos filhos. Na França, várias pessoas reagiram, a maioria se mostrando chocadas com a afirmação, que consideraram como “absurda”. Mas a ideia conseguiu conquistar alguns franceses, que deram seu testemunho.

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“É uma longa reflexão. Há pouco tempo, queria ter filhos. Quatro ou até cinco. Mas, faz três anos, me disse que seria mais razoável não dar à luz nessa sociedade”, afirma Marjorie Zerbib, entrevistada pelo site de notícias FranceInfo. Natural da cidade de Bordeaux, com 27 anos, ela reconhece: “Sou jovem, mas pessimista sobre o futuro do planeta.”

Uma das razões que empurram os franceses a assumirem essa posição é a consciência das ameaças contra o meio ambiente. Para eles, está fora de questão contribuir ao aumento da população mundial e, portanto, da poluição.

Com 32 anos, Anne-Claire* tomou sua decisão: ela não terá filhos. Suas razões são ligadas a sua história pessoal, mas também às convicções ecológicas. “Não tenho vontade de criar um pequeno poluidor”, afirma a jovem a FranceInfo, dizendo-se surpresa com a reação de seus amigos. “Eles se orgulham de produzir ‘zero lixo’, mas, ao mesmo tempo, fazem um ou mais filhos. É como se acabassem de uma vez com todos seus esforços.”

Anne-Claire e seu companheiro se recusam a colocar no mundo um ser que representaria ainda mais emissão de carbono. “Alguém me disse um dia: ‘Não é o fato de ter uma criança que vai te impedir de envelhecer sozinha. Isso me libertou. Tenho meus sobrinhos, crianças ao meu redor. Isso é suficiente”, afirma.

“Vamos alcançar logo a faixa de nove bilhões de pessoas na Terra. Como vamos fazer para suprir todos as necessidades primárias, como alimentação ou moradia?”, se inquieta Melissa*. Ela afirma preferir adotar do que “ter, a todo preço, meu próprio filho”. A estudante de comunicação de Lille ainda não está certa de sua decisão, mas, aos 23 anos, já se sente inquieta pelo futuro.

Decisão difícil para a família

Os resistentes da reprodução dizem temer pelos próximos anos na Terra. “Vamos ter desastres ecológicos fortes e frequentes. A deterioração da biodiversidade só começou”, afirma Sylvain, 34, também ouvido pela FranceInfo, a quem confessou o desejo de fazer uma vasectomia. “[Uma criança] terá uma vida complicada em vinte ou trinta anos. Não posso assumir essa responsabilidade”, diz.

A francesa Madeline tem dificuldade em apresentar seu ponto de vista aos familiares. “Acham que sou um alienígena”, confessa. “É minha batalha pessoal e sei que já perdi. Não quero mais tentar convencê-los. Dizem que sou egoísta, mas dar à luz não é algo banal, sobretudo num contexto de aquecimento global.”

“Para meus amigos, sou um militante ecológico e anticapitalista, então eles não ficaram surpresos. Mas, na minha família, ter filhos é uma evidência. Venho de um meio conservador, então minha decisão não vai agradar”, lamenta Lucien*, de 25 anos. Já o ex-namorado de Melissa nunca entendeu seu ponto de vista. “Para ele, eu deveria respeitar meu ‘destino natural’ ao me tornar mãe. Ele afirmava que se eu era uma jovem mulher, era para engravidar”, critica.

Nicolas contou à FranceInfo que hesitou por anos com sua esposa, mas finalmente decidiu ter um filho. “Vamos tentar fazer de tudo para evitar os impactos ecológicos ligados a seu nascimento. Só nos locomovemos de bicicleta, comemos frutas orgânicas, temos nossa própria horta. Todos esses valores, vamos transmitir a nosso filho”, defende.

*Alguns nomes foram modificados.

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